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Hernâni Caniço

Médico, Doutorado pela Universidade de Coimbra, Medalha de Mérito da Ordem dos Médicos, Competência em Gestão de Serviços de Saúde, Membro da Comissão Política Concelhia e da Comissão Política da Federação Distrital de Coimbra do Partido Socialista.

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Tema: Tipos de FamíliaData de Publicação: 23/02/2024, 17h50
Como classificar as famílias?
Foto ® unsplash.com
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Reunimos literatura internacional e criámos novos tipos de família, sendo que cada um destes tipos contempla a estrutura e a dinâmica familiar. Alguns tipos caracterizam melhor a estrutura, outros sinalizam determinada dinâmica, disfuncional ou não.

Uma família considera-se funcional quando os limites entre os seus elementos são nítidos, há ligações consolidadas entre os elementos de cada subsistema familiar, a chefia é bem aceite pelos chefiados e as responsabilidades são assumidas e partilhadas em situações de gestão difícil. 

A “chefia” da família é interpretada no sentido de coordenação de grupo e de interesses comuns, autoridade sem autoritarismo e promoção da autonomia e responsabilidade, e sem sentido autocrático ou penal.

Procurámos caracterizar cada família, segundo a estrutura e a dinâmica familiar, de acordo com a bibliografia pesquisada, mas também tendo em conta as realidades e necessidades que vamos encontrando no nosso dia-a-dia profissional.

Vamos caracterizar alguns tipos de família.

A díade nuclear é uma família em que existe uma relação conjugal sem filhos, uma união entre duas pessoas, que co-habitam. Não há descendentes comuns, nem de relações anteriores de cada elemento. São exemplos, união entre homem e mulher, que ainda não tiveram filhos por opção ou impossibilidade, médica ou outra, ou que nunca os virão a ter.

A família grávida existe quando uma mulher se encontra grávida, independentemente da restante estrutura.

É uma família vulnerável, e justifica-se também pela envolvência da parentalidade homem e mulher, estimulada pela concessão de direitos e regalias nos cuidados de saúde e legalidade.

Trata-se de uma fase específica no seio da família, em que se aguarda a vinda de um novo elemento, predominando os sentimentos de medo e/ou esperança, com desvio do centro de atenções e segurança.

A família nuclear ou simples é a típica família com uma só união entre adultos e um só nível de descendência, ou seja, pai e mãe e o (s) seu (s) filho (s). Classicamente, é-lhe atribuída grande estabilidade, de facto, tradição ou sociedade.

Muitas vezes, os indícios de disfunção são intencionalmente camuflados por diferentes elementos da família, pelo que a audição separada dos intervenientes e o contraditório podem ser úteis, com discriminação de culpa e dolo pelos elementos, sem quebra de profissionalismo e proximidade.

A Família alargada ou extensa é a família em que co-habitam ascendentes, descendentes e/ou colaterais por consanguinidade ou não, para além de progenitor (es) e / ou filho (s).  Existe uma união conjugal e mais do que um nível de descendência, podendo co-habitar avós, netos, tios, primos, cunhados.

Por vezes, há optimização da entreajuda, com definição e complementaridade dos papéis familiares ou, por outro lado, existe desagregação da hierarquia familiar, luta de poderes e formação de “grupos” rivais.

A família com prole extensa ou numerosa é uma família com crianças e jovens de idades muito diferentes e, logo, em fases distintas do seu desenvolvimento individual, independentemente da restante estrutura familiar.

Trata-se de uma família que exige apoio social e grande versatilidade dos cuidadores (pais, avós ou outros), quer devido ao número de crianças e jovens, que habitualmente é mais elevado, quer às diferentes exigências de cada grupo etário.

Continuaremos a classificar as famílias, segundo a estrutura e dinâmica familiar em próximos artigos...

*Baseado no livro “Novos Tipos de família, Plano de Cuidados”, de Hernâni Caniço, Pedro Bairrada, Esther Rodríguez e Armando Carvalho

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