André Pestana, candidato à Presidência da República, condenou publicamente a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, liderada pelo presidente norte-americano Donald Trump, considerando-a uma agressão à soberania do país e um ataque ao povo venezuelano, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.
Em comunicado divulgado esta sábado, André Pestana afirmou que a recente ofensiva norte-americana, que incluiu operações militares em território venezuelano e a captura do Presidente Nicolás Maduro, representa, na prática, um golpe de Estado. Segundo o candidato, a justificação apresentada pelos Estados Unidos, relacionada com o combate ao narcotráfico, não corresponde às verdadeiras motivações da intervenção.
De acordo com André Pestana, o objetivo central da ação norte-americana será o controlo das riquezas naturais da Venezuela, nomeadamente combustíveis fósseis e minerais estratégicos, em benefício de empresas dos Estados Unidos. O candidato sublinhou ainda que, apesar de não se identificar politicamente com o regime de Nicolás Maduro, considera que a intervenção externa constitui uma violação grave do direito internacional.
No comunicado, André Pestana alertou para o precedente que esta ação poderá criar nas relações internacionais, comparando-o a outros conflitos recentes e defendendo que este tipo de atuação reforça a “lei do mais forte” nas relações entre Estados. Acrescentou que a situação aumenta o risco de novos conflitos armados, com potenciais impactos regionais e globais, incluindo para a comunidade portuguesa residente na Venezuela.
O candidato apelou também a uma tomada de posição clara por parte das autoridades portuguesas, nomeadamente do Presidente da República, do Governo e dos restantes candidatos presidenciais. Para André Pestana, Portugal deve condenar de forma inequívoca a intervenção dos Estados Unidos, defendendo que não devem existir “dois pesos e duas medidas” na resposta a agressões à soberania dos povos.
Na mesma declaração, André Pestana afirmou que o silêncio ou a neutralidade face à situação equivale a cumplicidade com o agressor, citando uma frase do arcebispo sul-africano Desmond Tutu: “A neutralidade em situações de injustiça é escolher o lado do opressor”.
