O Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP) apelou aos cidadãos para que não se resignem à atual situação do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e convocou os utentes a manifestarem-se em sua defesa, alertando para o que considera serem impactos negativos de opções políticas tomadas nos últimos anos, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.
Em comunicado, o MUSP aponta como exemplos de problemas no SNS a morte de utentes por falta de assistência, os tempos de espera nos hospitais e centros de saúde, a escassez de médicos de família, os partos realizados em ambulâncias, bem como o encerramento de serviços e especialidades hospitalares. Segundo o movimento, estas situações não resultam do aumento do número de utentes nem do mau funcionamento intrínseco do serviço, mas de anos de desinvestimento e de políticas que, no seu entender, têm contribuído para a degradação do SNS e para um maior recurso ao setor privado.
O MUSP refere ainda uma alegada transferência de verbas do Orçamento da Saúde para entidades privadas, através da externalização de serviços que poderiam ser assegurados pelo SNS e do investimento em equipamentos públicos posteriormente entregues a privados ou às Misericórdias. O movimento cita como exemplos os casos do Hospital de Vila Franca de Xira e do Hospital de Braga.
De acordo com a mesma posição, o encerramento de serviços e urgências está relacionado com a falta de condições de trabalho dos profissionais de saúde, o que, segundo o MUSP, tem contribuído para a sua saída para o setor privado. O movimento critica também as opções do Governo em matéria de recursos humanos, referindo que, em 2025, foi imposto um limite máximo de crescimento de 1,9% no quadro de pessoal do SNS, inferior ao de anos anteriores, o que terá condicionado o recrutamento de novos profissionais.
Já em 2026, o MUSP afirma que foram agravadas as condições de trabalho dos profissionais e de acesso dos utentes, com a concentração de urgências em determinados hospitais, obrigando deslocações de profissionais e doentes num raio de até 60 quilómetros. Segundo o movimento, esta medida tem sido criticada por organizações representativas dos médicos, que denunciam eventuais violações contratuais, e não resolve os problemas existentes, antes concentrando a pressão sobre o sistema.
O comunicado refere ainda situações recentes nas urgências hospitalares, onde doentes transportados pelo INEM e pelos bombeiros terão permanecido nas macas das ambulâncias por falta de capacidade de resposta hospitalar, mencionando igualmente casos extremos, como a permanência de um doente oncológico terminal no chão de uma unidade hospitalar. O MUSP alerta que a retenção de macas e ambulâncias compromete a capacidade operacional dos corpos de bombeiros, podendo atrasar o socorro a outros utentes.
Perante este cenário, o Movimento de Utentes dos Serviços Públicos exorta os cidadãos a organizarem-se em Comissões de Utentes, incentivando a criação de novas estruturas locais onde estas não existam, com o objetivo de reforçar a defesa do Serviço Nacional de Saúde.
