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Ana Abrunhosa garante vigilância dos diques e que não vão "baixar a guarda"

Carolina Barata/
05/02/2026, 16h01
/
6 min
Conferência de Imprensa sobre o ponto de situação do mau tempo em Coimbra @Central Press
Conferência de Imprensa sobre o ponto de situação do mau tempo em Coimbra @Central Press

A Câmara Municipal de Coimbra realizou esta quarta-feira, às 12h00, na Casa Municipal da Proteção Civil, uma conferência de imprensa para fazer um ponto de situação sobre os impactos das condições meteorológicas adversas no concelho, marcadas por chuva persistente, subida do caudal do rio Mondego e múltiplas ocorrências no território.

Na conferência estiveram presentes a presidente da autarquia, Ana Abrunhosa, o vereador com o pelouro da Proteção Civil, Ricardo Lino, a coordenadora do Serviço Municipal de Proteção Civil, Andreia Rodrigues, bem como responsáveis dos Bombeiros Sapadores de Coimbra, Bombeiros Voluntários de Coimbra e de Brasfemes, representantes dos Bombeiros Voluntários de Tábua e Mortágua, e um sargento em representação de uma equipa de fuzileiros a operar no terreno. A presidente destacou ainda o apoio do Município da Mealhada, de militares do Exército Português e dos sapadores florestais da Comunidade Intermunicipal e do Município de Coimbra.

Segundo a Proteção Civil Municipal, estão atualmente cerca de 100 operacionais mobilizados no concelho. Encontram-se ativas sete zonas de evacuação, organizadas em três setores: o setor Alfa, sob responsabilidade dos Bombeiros Voluntários de Brasfemes; o setor Bravo, assegurado pelos Bombeiros Sapadores de Coimbra, com monitorização entre o Cabouco e a Ponte dos Casais; e o setor Charlie, que acompanha a área desde a Ponte dos Casais até ao limite do concelho. Estas zonas permitem vigilância permanente, rondas diurnas e noturnas, apoio à população, colocação de lonas em telhados danificados e articulação com a GNR, PSP e Polícia Municipal.

Durante a noite registaram-se várias ocorrências, sobretudo quedas de árvores, taludes, barreiras e chaminés. Das situações sinalizadas, apenas três permaneciam por resolver no momento da conferência. Foram evacuadas três ou quatro famílias, essencialmente devido a derrocadas, mas todas encontraram resposta junto de familiares, não havendo necessidade de alojamento em unidades hoteleiras. A autarquia confirmou que, neste momento, não há famílias desalojadas.

Várias vias encontram-se cortadas à circulação, nomeadamente a Estrada do Campo na margem esquerda, entre a Ponte do Açude e o limite do concelho, bem como todos os acessos transversais a essa via. Estão também interditas a estrada entre Fornos e Adémia, o túnel de Souzelas para a Marmeleira, a estrada entre Ceira e Almalaguês devido à deposição de lamas e resíduos, a ligação entre Castelo de Viegas e Marco Pereiros, e a zona da Mata de Santa Teresa, no Penedo da Saudade, onde se verificou um deslizamento de terras.

O nível das águas do rio Mondego continua a subir, registando-se um caudal de cerca de 1.500 metros cúbicos por segundo na Ponte do Açude, quando o limite de referência é de 2.000 metros cúbicos por segundo. Ana Abrunhosa garantiu que a Barragem da Aguieira ainda tem capacidade de encaixe, sublinhando que ganhar margem nessa infraestrutura é fundamental para gerir a quantidade de água. No entanto, alertou para o rio Ceira, que desagua diretamente no Mondego e constitui uma preocupação adicional, sobretudo num contexto de aumento de temperatura e derretimento de neve nas zonas altas.

No terreno encontram-se disponíveis sete embarcações, trazidas pelos Bombeiros Voluntários de Tábua e Mortágua, pelos fuzileiros e pelos Bombeiros Voluntários de Coimbra, que serão posicionadas nas zonas consideradas mais complexas. A atuação está a ser articulada com o CODIS e com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), responsável pela gestão do caudal do Mondego.

A presidente da Câmara deixou uma mensagem de tranquilidade à população, mas apelou à adoção de comportamentos responsáveis, alertando para os riscos de circulação e permanência junto às margens do rio. Ana Abrunhosa classificou como “inconsciência total” situações como estacionar viaturas junto ao rio ou aproximar-se para tirar fotografias, lembrando que as estradas cortadas estão a ser vigiadas pelas forças de segurança.

Segundo as previsões, a chuva deverá manter-se até ao dia 11 de fevereiro, estando previstos novos picos de precipitação no domingo, dia 8, e no próprio dia 11. A autarquia garantiu que as sete zonas de evacuação e a vigilância nos três setores se manterão ativas de forma permanente, assegurando a retirada imediata de famílias sempre que se justifique.

Ana Abrunhosa manifestou ainda solidariedade com os municípios vizinhos, como Soure e Montemor-o-Velho, onde já se registam situações graves, referindo que a aldeia da Ereira se encontra isolada e que, em Soure, a água já atingiu áreas habitacionais. Em Coimbra, foi decidido cancelar a Feira dos Sete, prevista para sábado.

Relativamente às eleições presidenciais marcadas para domingo, a presidente revelou que está em contacto com o Ministério da Administração Interna, admitindo que, caso existam locais onde não estejam garantidas as condições de segurança, o ato eleitoral poderá ser anulado nessas secções e realizado posteriormente.

Em declarações à Central Press, Ana Abrunhosa afirmou que os diques continuam a ser monitorizados e que todas as situações que suscitam atenção são reportadas à APA, entidade que decide eventuais medidas de reforço. “Não podemos dizer que há risco zero, mas estamos a acompanhar”, afirmou, acrescentando que, apesar de se tratarem de inundações controladas, estas não deixam de causar danos. “Não identificamos, neste momento, situações particularmente preocupantes, nem riscos elevados”, concluiu, garantindo presença permanente no terreno e assegurando que “não há risco elevado de rebentamento do dique para já”. A autarca deixou ainda claro que “não vamos baixar a guarda até dia 11”.

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