A atualização da situação no concelho de Coimbra foi feita esta quinta-feira, pelas 19h30, nas novas instalações do Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Coimbra, na Pedrulha, numa conferência de imprensa que contou com a presença do primeiro-ministro, Luís Montenegro, do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, da ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, da presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, e responsáveis da Proteção Civil.
A sessão ocorreu na sequência da rutura parcial do dique lateral direito do Mondego, junto à margem direita, após o caudal do rio ter atingido esta tarde os 2.100 metros cúbicos por segundo na Ponte Açude. A Autoestrada A1 encontra-se cortada nos dois sentidos por precaução.
O primeiro-ministro alertou que a situação “provocará um efeito de cheia, lento, e que vai atingir as populações no concelho de Coimbra e de Montemor-o-Velho”, advertindo para a possibilidade de novas ruturas nas próximas horas. Luís Montenegro garantiu que “todas as medidas preventivas que podiam ser tomadas, foram tomadas” e destacou a atuação das autoridades no terreno, bem como a colaboração dos autarcas, em particular das juntas de freguesia, pela proximidade às populações.
O chefe do Governo sublinhou que “temos ainda pela frente horas de precipitação intensa” e, embora esteja previsto um desagravamento das condições meteorológicas a partir de sexta-feira, isso “não significa a diminuição da necessidade de vigilância total e absoluta”. Recordou ainda que, sendo o processo de cheia lento, “o escoamento da água será ainda mais lento”. Está igualmente previsto um agravamento da precipitação entre quinta e sexta-feira, aumentando o risco de novas ocorrências no dique que liga Coimbra à Figueira da Foz.
A ministra do Ambiente explicou que, desde o início de janeiro, as descargas de barragens e albufeiras equivalem a cerca de um ano de consumo de água no país. Segundo Maria da Graça Carvalho, o caudal do Mondego atingiu ontem 1.800 metros cúbicos por segundo, num contexto de pouco encaixe nas barragens e precipitação intensa — três fatores que agravaram a situação.
Esta tarde, com o caudal a atingir os 2.100 metros cúbicos por segundo, registou-se “uma rutura parcial de cerca de 10 metros de largura”, direcionada para campos agrícolas. A governante assegurou que a água “não se vai dirigir para as residências”, mas deverá espraiar-se pelos campos até ao território de Montemor-o-Velho. A área urbana deste concelho encontra-se protegida por dois diques, que estão a ser monitorizados pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA). Os caudais mantêm-se nos 2.100 metros cúbicos por segundo e não deverão baixar nas próximas horas.
A ministra acrescentou que as barragens da Aguieira e das Fronhas “não são suficientes para controlar os caudais do Mondego num cenário de alterações climáticas com eventos extremos”, justificando a decisão governamental de avançar com a construção da Barragem de Girabolhos. Considerou ainda que “o plano de evacuação dos Municípios estava muito bem preparado”.
No concelho de Coimbra, foram acionadas evacuações preventivas em São Martinho de Árvore, Quimbres (São Silvestre) e São João do Campo. A Escola Básica 2-3 de São Silvestre está preparada para acolher a população. Ana Abrunhosa esclareceu que “esta evacuação resulta não do rebentamento do dique, mas pelo facto de o Rio Velho já estar a inundar estas zonas”.
A presidente da autarquia afirmou que, face à possibilidade de novas ruturas, será mantida a situação de prevenção e poderão ocorrer novas evacuações. Os idosos permanecerão instalados no Pavilhão Mário Mexia. As escolas do concelho continuam encerradas e está prevista nova avaliação da situação no sábado de manhã, seguida de conferência de imprensa às 12h00. “Apesar de no dia de amanhã haver uma melhoria do tempo, pedimos paciência, não podemos facilitar”, apelou. Recordou ainda que o rebentamento do dique estava previsto pela APA e que as medidas foram tomadas antecipadamente: “Proteção Civil é prevenção”. Destacou também o apoio do Exército e dos Fuzileiros, que se deslocaram para o terreno.
O presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), José Manuel Moura, afirmou que “só a partir de sábado haverá um desagravamento efetivo das condições meteorológicas”, deixando as habituais recomendações à população para evitar deslocações desnecessárias e cumprir as orientações das autoridades.
O Presidente da República considerou que a situação “não é um fenómeno isolado”, lembrando os dois meses consecutivos de precipitação intensa. Marcelo Rebelo de Sousa destacou que a prevenção “foi superior àquilo que se podia fazer”, iniciada com diálogo com Espanha e reforçada pela adesão das populações às medidas de precaução. “Os apelos para os próximos dias são para ser levados a sério”, afirmou, sublinhando que o desagravamento previsto não implicará baixar o nível de alerta. O chefe de Estado agradeceu a mobilização de todos os operacionais e a forma como as populações têm reagido, garantindo que as autoridades estarão atentas à evolução da situação “sem esquecer o resto do país”.

