A presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, alertou esta quarta-feira para a possibilidade de uma cheia centenária no concelho, numa conferência de imprensa realizada às 20h30 na Casa Municipal da Proteção Civil. A autarca sublinhou que as zonas atualmente alagadas poderão agravar o seu estado nas próximas horas.
Segundo a presidente, a Barragem da Aguieira atingiu o seu limite de armazenamento e começará a debitar toda a água recebida, numa altura em que se regista precipitação intensa nas regiões que alimentam a infraestrutura. O caudal do Rio Ceira está igualmente a aumentar.
No Açude Ponte, o caudal de 2.000 metros cúbicos por segundo, considerado a “linha vermelha”, já foi atingido, podendo evoluir para valores entre os 2.500 e os 3.000 metros cúbicos por segundo. A autarca advertiu que, com o Rio Mondego cheio, as ribeiras afluentes começam também a subir, aumentando o risco de inundações.
Entre as zonas de maior preocupação estão toda a baixa da cidade, a zona ribeirinha de Torres do Mondego e do Ceira, o Rio Dueça na área de Conraria e Vendas de Ceira, Portela do Mondego e Quinta da Portela, onde o aumento do nível freático poderá causar constrangimentos adicionais. A presidente apelou à população para redobrar cuidados com estacionamentos em caves e com os sistemas de saneamento.
Outras áreas já afetadas incluem a Praia do Rebolim e o Parque Verde, ambos inundados, bem como a zona do Rossio, a parte baixa de Santa Clara e a Baixa de Coimbra. Estão ainda sob vigilância as ribeiras de Coselhas, Eiras, Fornos, Covões e Casais.
“Há probabilidade de termos rutura em mais partes do dique do Mondego, inclusive na zona de Coimbra”, afirmou Ana Abrunhosa, acrescentando que as áreas mais críticas já se encontram alagadas e que, em alguns casos, foi solicitado aos moradores que abandonassem as suas habitações.
Devido aos níveis elevados da água na Ponte Açude, prevê-se o galgamento para as estradas adjacentes, que poderão funcionar como leito de escoamento. O viaduto da Ponte Açude, que dá acesso aos hospitais, e a Ponte de Santa Clara mantêm-se abertos ao trânsito, estando a decisão de eventual encerramento dependente de nova avaliação.
A autarca destacou ainda a necessidade de especial atenção em parques de estacionamento, referindo como exemplo o BragaParques. Indicou também que a principal preocupação durante a noite será a transferência de pessoas acamadas para outras Unidades de Cuidados Continuados, operação coordenada pela equipa de ação social do município.
A presidente reuniu previamente com os presidentes das juntas de freguesia, garantindo articulação com a rede local de proteção civil. Os responsáveis das juntas de Coimbra e de Santa Clara estiveram no terreno a alertar comerciantes e residentes para a possibilidade de cheias.
O pico da situação meteorológica está previsto entre as 8h00 e as 9h00 de quinta-feira, podendo os presidentes de junta vir a solicitar evacuações preventivas. Um novo agravamento é esperado pelas 15h00.
“Amanhã não haverá aulas”, anunciou a autarca, apelando à população para evitar deslocações desnecessárias, seguir as indicações das autoridades e acompanhar as comunicações da proteção civil.
“Nós não controlamos o tempo, as previsões mudam de dia para dia”, concluiu Ana Abrunhosa.

