A situação meteorológica adversa que afeta o concelho de Coimbra mantém as autoridades em alerta máximo, com especial preocupação centrada na evolução dos caudais do Rio Mondego e no comportamento da Barragem da Aguieira ao longo da tarde desta quinta-feira.
A atualização do ponto de situação foi feito hoje, 13 de fevereiro, às 14h30, nas novas instalações do Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Coimbra, na Pedrulha (antiga escola primária da Rua 1.º de Maio). Antes disso, pelas 14h00, decorreu no mesmo local uma reunião presencial com a presença da Ministra do Ambiente e Energia e do Secretário de Estado da Proteção Civil, e do primeiro ministro, Luís Montenegro, destinada a preparar a resposta operacional para o período da tarde e da noite. Em paralelo, esteve também em curso uma reunião técnica da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), em formato online, para avaliação da situação e planeamento das próximas horas.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, afirmou que “a situação aponta para termos algum otimismo, que não deve significar relaxe, nas próximas horas”. Ainda assim, sublinhou que o país permanece sob precipitação intensa e que o pico da capacidade da Barragem da Aguieira está previsto para as 17h00, mantendo-se a pressão máxima até cerca das 19h00.
Segundo o chefe do Governo, a gestão preventiva dos grandes cursos de água, nomeadamente no Rio Mondego, foi determinante para mitigar os impactos. “Desde muito cedo se provocaram cheias controladas e ações de coordenação para garantir capacidade de encaixe nas barragens com maior capacidade”, afirmou, considerando que este esforço poderá abrir “uma janela de alguma acalmia, propícia à recuperação”.
O primeiro-ministro destacou ainda o corte preventivo da A1, sublinhando que, sem essa decisão, “as consequências teriam sido muito mais graves”, e elogiou o trabalho desenvolvido pelos municípios afetados pelas cheias junto das populações.
A presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, garantiu que “se hoje não temos vítimas mortais a lamentar, deveu-se a este trabalho de proximidade e de articulação, e a um grande planeamento e prevenção”.
Apesar de a noite ter decorrido “muito melhor do que o esperado”, o município mantém a vigilância apertada. “Continuamos a ter uma tarde de alerta e vigilância”, afirmou, apelando a que residentes, comerciantes e empresas permaneçam preparados para uma eventual evacuação, que se espera não venha a ser necessária.
As zonas já evacuadas permanecem sob alerta, tal como a baixa da cidade e a zona ribeirinha. A autarca pediu à população que não regresse às habitações até indicação em contrário. “Causámos danos controlados para evitar um dano maior”, afirmou.
Está previsto um novo ponto de situação pelas 19h00. Caso a situação se agrave, as autoridades asseguram que existe margem temporal suficiente para ordenar evacuações entre o pico na Aguieira e a chegada da água a Coimbra, Montemor e Soure.
Em resposta aos jornalistas, Ana Abrunhosa explicou que o pico previsto para as 17h00 poderá atingir cerca de 1300 metros cúbicos por segundo. Caso a intensidade seja elevada e a barragem esgote a capacidade de retenção, “aquilo que a barragem recebe será aquilo que a barragem deita fora”.
A autarca adiantou que, ao atingir a quota 124,7 — sendo que no momento da conferência a barragem se encontrava nos 122,67 — será lançado um alerta vermelho. O presidente da APA indicou que existem cerca de sete horas até que a barragem atinja o limite máximo, garantindo que haverá tempo para evacuar a população, se necessário.
A nível nacional, o Governo está a desenhar um programa de superação da atual emergência. Segundo o primeiro-ministro, foram já registados mais de 8200 pedidos de apoio de cidadãos e famílias para habitações próprias e permanentes.
Nos casos com prejuízos até 5000 euros, será suficiente prova fotográfica dos danos. Entre 5000 e 10 mil euros, será necessária vistoria por parte das câmaras municipais ou juntas de freguesia, tendo o chefe do Governo apelado à rapidez desses procedimentos.
Relativamente ao apoio por perda de rendimento e situação de carência, estão já submetidas cerca de 2000 candidaturas à Segurança Social. No apoio às empresas, registam-se 3800 candidaturas, num montante superior a 850 milhões de euros. No setor agrícola, foram apresentadas mais de 4500 candidaturas em todo o território nacional.
Dirigindo-se aos portugueses, Luís Montenegro afirmou: “Estamos a fazer de tudo para ultrapassar a situação de emergência em que nos encontramos, para repor a normalidade no que é mais prioritário, e para projetar a recuperação e resiliência do país para o futuro.”
Até às 19h00, Coimbra mantém-se sob vigilância reforçada, num cenário que combina sinais de estabilização com prudência máxima por parte das autoridades.
