Quase quatro semanas após a tempestade Kristin, o Município da Marinha Grande apresentou esta terça-feira, dia 24 de fevereiro, o balanço das operações de emergência, apoio à população e avaliação de danos provocados por um dos eventos meteorológicos mais destrutivos registados no concelho, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.
A tempestade deixou o território sem energia elétrica, abastecimento de água e comunicações, obrigando à ativação imediata do Plano Municipal de Emergência e à mobilização intensiva de todos os serviços municipais e agentes de proteção civil. A 28 de janeiro, o concelho ficou totalmente isolado, e no dia seguinte foi instalada a Sala de Crise, garantindo coordenação permanente entre serviços municipais, forças de segurança, forças armadas e outras entidades envolvidas.
No total, 32 entidades colaboraram diretamente nas operações de socorro, limpeza, estabilização, apoio social e logística. Entre os meios mobilizados estiveram 52 militares do Exército, 60 fuzileiros da Armada, 190 agentes da PSP destacados para reforço regional, 22 elementos da GNR, equipas municipais e voluntários de todo o país, com apoio de vários municípios e juntas de freguesia.
O evento provocou danos extensivos em infraestruturas públicas e privadas, equipamentos educativos, desportivos e culturais, assim como no tecido empresarial, com estimativa de que 90% das empresas tenham sido afetadas. Cerca de 2.000 pedidos foram registados no balcão de apoio criado para avaliação de estragos.
A falta de energia foi um dos problemas mais graves: localidades como Pilado, Escoura, Garcia, Praia da Vieira e Vieira de Leiria permaneceram vários dias sem abastecimento, afetando mais de 5.964 clientes no pico da crise. Para reforçar a estabilidade da rede, foi executada uma linha subterrânea de 1,6 km.
Foram ainda ativadas duas Zonas de Concentração e Apoio à População, já desativadas, onde foram distribuídas refeições e bens essenciais. No total, destacam-se 18.183 cabazes de bens essenciais, 7.680 senhas para materiais de construção e centenas de refeições diárias para famílias afetadas e operacionais.
A rede escolar sofreu danos significativos, obrigando ao encerramento de dezenas de estabelecimentos, com reabertura faseada de 29 escolas. Equipamentos culturais como o Museu do Vidro, a Casa-Museu Afonso Lopes Vieira e o Museu Joaquim Correia permanecem encerrados.
O levantamento preliminar aponta para prejuízos superiores a 118 milhões de euros, distribuídos por edifícios municipais (20 M€), estabelecimentos escolares (28 M€), equipamentos culturais (3 M€), habitação social (30,45 M€), instalações desportivas (10 M€), parques urbanos (6 M€), sinalização vertical (0,5 M€), pavimentos (0,35 M€), semáforos (0,2 M€), passadiços e ciclovias (3 M€), drenagem pluvial e residual (10 M€) e tecido associativo (8 M€). Vários danos graves, nomeadamente na Casa-Museu Afonso Lopes Vieira e no património da antiga FEIS, continuam em avaliação técnica.
O Município cancelou as Festas da Cidade 2026, mantendo todos os recursos humanos e financeiros dedicados à recuperação. Foram criados novos modelos de atendimento para gestão de donativos e entrega de materiais de construção.
Com a fase crítica concluída, a autarquia foca-se agora na recuperação estrutural, apoio à retoma económica e reabilitação integral dos serviços e equipamentos afetados, preparando a integração dos prejuízos em mecanismos de apoio do Estado.
