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Pedra de Ançã em destaque na Geoheritage reforça reconhecimento internacional

Redação Central Press/
26/02/2026, 10h37
/
3 min
Pedra de Ançã @CM Cantanhede
Pedra de Ançã @CM Cantanhede

A Pedra de Ançã acaba de ser destacada na mais recente edição da revista científica Geoheritage, publicação internacional de referência dedicada à conservação, gestão e valorização do património geológico a nível mundial. A divulgação do estudo representa um novo impulso na valorização deste recurso geológico do concelho de Cantanhede, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.

O artigo centra-se no Calcário de Ançã, oficialmente reconhecido em 2024 como International Union of Geological Sciences Heritage Stone, distinção atribuída a recursos geológicos com relevância cultural excecional. O trabalho é assinado por David Martín Freire-Lista (IGME-CSIC, Espanha), Fernando Figueiredo e Maria Helena Henriques, investigadores do Centro de Geociências da Universidade de Coimbra.

Segundo os autores, o Calcário de Ançã, em particular a sua variedade mais fina, conhecida como Pedra de Ançã, desempenhou um papel determinante na afirmação cultural e arquitetónica de Coimbra desde a Idade Média. A pedra foi amplamente utilizada em igrejas, mosteiros, esculturas, fachadas e elementos decorativos, estando associada ao conjunto classificado como University of Coimbra – Alta and Sofia.

Mestres escultores como Mestre Pêro, Diogo Pires (o Velho e o Novo), Jean de Rouen e Claude Laprade recorreram a esta rocha pela sua capacidade de permitir trabalhos escultóricos finos e detalhados, com boa preservação cromática ao longo do tempo. De acordo com o estudo, muitos dos principais tesouros artísticos nacionais, incluindo túmulos medievais e portais renascentistas, só foram possíveis graças às propriedades específicas deste calcário.

O artigo evidencia, contudo, a elevada vulnerabilidade da pedra, caracterizada por alta porosidade e fraca resistência mecânica. Ao longo dos séculos, inúmeras esculturas e fachadas sofreram degradação acelerada provocada por infiltração de água, cristalização de sais, fungos, poluição atmosférica e ciclos de gelo-degelo.

Os investigadores analisam ainda avanços recentes no diagnóstico e conservação do material, incluindo técnicas inovadoras de consolidação por biomineralização, apontadas como uma das soluções promissoras para mitigar a deterioração.

Outro dos pontos abordados prende-se com a sustentabilidade da extração. Embora as pedreiras históricas de Ançã mantenham reservas adequadas para trabalhos de restauro, a extração da camada mais fina e nobre implica desmontes complexos, levantando questões técnicas e ambientais.

Para os autores, o reconhecimento internacional como Heritage Stone reforça a necessidade de proteger este património geocultural. O estudo sublinha igualmente o papel da Universidade de Coimbra na investigação e valorização do recurso, bem como o seu potencial para o desenvolvimento de iniciativas de geoturismo e educação geocientífica.

A publicação agora divulgada pretende contribuir para uma maior consciencialização pública e institucional sobre a importância de preservar não apenas os monumentos onde a pedra foi aplicada, mas também os locais históricos de extração, testemunhos de séculos de atividade humana no território.

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