A FENPROF manifestou preocupação com a participação do partido Chega na Futurália 2026, realizada na FIL entre 11 e 14 de março, apontando críticas aos conteúdos apresentados no espaço expositivo da força política, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.
Em comunicado, a FENPROF refere que alguns materiais expostos, incluindo cartazes e referências a dados sobre imigração, bem como menções à chamada teoria da “Grande Substituição”, levantam questões quanto à sua adequação a um evento dirigido a jovens estudantes.
A organização sindical sublinha que o artigo 13.º da Constituição da República Portuguesa (CRP) consagra o princípio da igualdade, proibindo discriminações com base em fatores como origem, religião, convicções políticas ou condição social. Nesse sentido, considera que determinadas mensagens apresentadas poderão não estar em conformidade com os valores constitucionais.
A FENPROF recorda que a Futurália se assume como um espaço de orientação vocacional, ensino e formação, vocacionado para a promoção do pensamento crítico, do pluralismo e do respeito pelos direitos fundamentais.
No mesmo comunicado, a FENPROF considera inadequada a utilização deste tipo de evento como plataforma de comunicação político-partidária dirigida a um público jovem, defendendo que a presença de discursos que classifica como discriminatórios ou excludentes pode comprometer o ambiente educativo e formativo da iniciativa.
A federação destaca ainda que o contexto é particularmente relevante no ano em que se assinalam os 50 anos da Constituição da República Portuguesa, sublinhando a importância dos princípios de igualdade, liberdade e combate à discriminação consagrados no texto constitucional.
Até ao momento, não foram divulgadas reações oficiais por parte da organização da Futurália 2026 relativamente às críticas apresentadas pela FENPROF. O tema tem, no entanto, gerado debate público sobre o papel dos eventos educativos e os limites da participação política em contextos dirigidos à juventude.