A Casa do Cinema de Coimbra acolhe, nas próximas semanas, um ciclo cinematográfico dedicado às representações do tempo e do trabalho reprodutivo no cinema, integrado no projeto exploratório "CINE-TEMPO", de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.
A iniciativa faz parte da programação regular do espaço e está associada a uma investigação coordenada por Patrícia Sequeira Brás, financiada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia e desenvolvida no CEIS20 – Centro de Estudos Interdisciplinares da Universidade de Coimbra.
O ciclo propõe uma reflexão sobre a forma como o cinema utiliza a duração expandida para retratar o chamado trabalho reprodutivo, conjunto de atividades que sustentam e reconstroem a vida social, como cozinhar, comer ou cuidar, tarefas frequentemente atribuídas às mulheres. Ao privilegiar gestos quotidianos, rotinas e tempos prolongados, a seleção de filmes pretende tornar visíveis dimensões muitas vezes ignoradas do trabalho doméstico e do cuidado.
Segundo a organização, a iniciativa dirige-se tanto à comunidade estudantil como ao público em geral, com o objetivo de promover o debate sobre a importância da reprodução social. A sala de cinema é pensada, neste contexto, como um espaço de reflexão coletiva entre a investigadora e os espectadores.
O programa arrancou a 18 de março, às 11h00, com Tempo Comum (2018), de Susana Nobre, um retrato íntimo da experiência de parentalidade nos primeiros meses de vida. O ciclo prossegue a 25 de março, também às 11h00, com O Movimento das Coisas (1985), de Manuela Serra, longa-metragem que observa o quotidiano da aldeia de Lanheses, no norte do país, marcada pela coexistência entre tradição rural e industrialização.
Em abril, a programação inclui duas sessões de Jeanne Dielman, 23 quai du Commerce, 1080 Bruxelles (1975), de Chantal Akerman, nos dias 1 de abril, às 21h30, e 2 de abril, às 11h00. Considerada uma obra marcante da história do cinema, a longa-metragem acompanha o dia a dia de uma mulher e o seu trabalho doméstico e reprodutivo.
O ciclo continua nos dias 15 e 16 de abril, às 21h30 e 11h00, respetivamente, com Wendy and Lucy (2008), de Kelly Reichardt, que segue a história de Wendy e da sua cadela Lucy, num percurso marcado pela precariedade económica no rescaldo da crise financeira de 2008.
A primeira fase da iniciativa termina a 1 de maio, às 11h00, com Lunch Break (2008), de Sharon Lockhart, filme que observa o momento de pausa para almoço de 42 trabalhadores de um estaleiro naval, transformando o tempo de descanso num objeto cinematográfico de observação.
Os bilhetes para as sessões custam seis euros, com preço reduzido de cinco euros na bilheteira física, e entrada gratuita para sócios. Estão disponíveis online e no local, a partir de 30 minutos antes de cada sessão. A bilheteira do espaço abre meia hora antes do início das exibições, e existem também modalidades específicas de preços para grupos e outras sessões da programação regular.
