A greve nacional de enfermeiros realizada a 20 de março registou uma adesão de 71,8%, segundo dados divulgados pelas estruturas sindicais do setor, num protesto marcado por reivindicações relacionadas com progressão na carreira, contratação de profissionais e organização do tempo de trabalho, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.
De acordo com os representantes dos enfermeiros, a mobilização teve como principais exigências a contagem integral dos anos de serviço, traduzida na atribuição de pontos para progressão, o pagamento de retroativos em dívida, a admissão de mais enfermeiros e a aplicação da legislação em vigor relativa à organização do tempo de trabalho.
Os profissionais defendem que estas matérias têm sido apresentadas de forma reiterada nas negociações com o Governo e consideram que a sua resolução é essencial para evitar situações que classificam como discriminação dentro da carreira de enfermagem.
A Ministra da Saúde reconheceu publicamente a existência dos problemas apontados pelos enfermeiros e a legitimidade das reivindicações. Em declarações públicas, afirmou que “é verdade que existem os problemas, é verdade que queremos resolver, é verdade que essas são exigências inscritas nos cadernos reivindicativos do SEP e não nos dos outros sindicatos de enfermagem”.
Apesar desse reconhecimento, as estruturas sindicais indicam que a luta continuará até que as questões que classificam como antigas sejam resolvidas. Os representantes dos enfermeiros afirmam ainda que pretendem manter a mobilização da classe para contestar eventuais propostas que considerem prejudiciais aos direitos dos profissionais, incluindo alterações à organização do tempo de trabalho.
A greve integrou um conjunto de iniciativas que têm marcado o diálogo entre sindicatos e Governo no setor da saúde, num contexto de debate sobre condições de trabalho, valorização da carreira e reforço de recursos humanos no Serviço Nacional de Saúde.
