A 4.ª edição do Festival Literário da Mealhada (FLIM) arrancou, esta segunda-feira, dia 23 de março, com uma sessão inaugural centrada no poder transformador da leitura, reunindo, no auditório José Lopes Reis de Melo da Biblioteca Municipal da Mealhada, comunidade escolar, agentes culturais e público em geral num momento de reflexão e partilha em torno da cidadania e da participação, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.
Subordinada ao tema “Ler para (se) transformar: o poder de ler para participar”, a sessão de abertura, que decorreu com sala cheia, marcou o início de seis dias de programação (até 28 de março) dedicada às palavras, à cidadania ativa e aos valores da democracia, reforçando o compromisso do Município da Mealhada com a cultura, a leitura e a participação cívica.
O programa iniciou com o momento cultural “É urgente o amor”, protagonizado por três alunas da EB2 da Pampilhosa, ensaiadas pela colaboradora da Biblioteca Escolar deste estabelecimento de ensino, Telma Duarte, que trouxeram ao público uma abordagem sensível e artística sobre a importância dos afetos e das relações humanas no contexto educativo.
Na sessão inaugural, a vice-presidente da Câmara da Mealhada, com o pelouro da Cultura, Filomena Pinheiro, destacou o papel estruturante da Biblioteca Municipal, sublinhando o trabalho consistente desenvolvido, ao longo dos anos, pelos seus técnicos. “A biblioteca deixou de ser um repositório de livros para ser um lugar de encontro da comunidade”, afirmou. A autarca evidenciou ainda o contributo destes profissionais que têm vindo a tornar este espaço “mais justo, inclusivo, interativo e ativo”, fortalecendo a sua presença no quotidiano das famílias. Neste contexto, referiu que o FLIM tem vindo a reforçar e acrescentar valor a essa “dinâmica”, consolidando a biblioteca como um espaço central na vida da comunidade. No mesmo sentido, salientou a importância da leitura para a construção da personalidade, lembrando que “ler com tempo é fundamental para termos uma participação cívica mais consciente”.
A reflexão contou ainda com a participação de Helena Duque, coordenadora interconcelhia da Rede de Bibliotecas Escolares, cuja ação faz a ponte entre as escolas, as bibliotecas e as comunidades de leitores, que destacou o papel da leitura como base do pensamento crítico e da cidadania ativa. “Ler é a base. A leitura e a interpretação permitem-nos posicionar criticamente e participar no dia a dia”, referiu, defendendo que “a participação conduz sempre a uma transformação”.
Daniela Oliveira, professora bibliotecária no Agrupamento de Escolas da Mealhada, responsável pela implementação do projeto LIDERA – Ler Informação Diária para Escolher, Refletir e Agir, apresentou este e outros projetos, como o “Miúdos a Votos, sublinhando a importância da literacia mediática num contexto marcado pelo excesso de informação. Alertando para o impacto prejudicial das redes sociais, destacou que “há necessidade de trabalhar a literacia mediática” e que “ler criticamente não é apenas desejável. É imperioso”.
Já João Manuel Ribeiro, autor da obra “O Silêncio do Buçaco”, distinguida com a segunda edição do Prémio Literário António Augusto da Costa Simões - posteriormente apresentada na mesma sessão - defendeu que a leitura é um processo essencial, mas gradual no que se refere à transformação. “Ninguém se transforma de um momento para o outro. Transformar leva tempo”, salientou, reforçando a importância de cultivar hábitos de leitura consistentes para uma verdadeira mudança pessoal e social.
Seguiu-se a apresentação do livro do escritor, que é também editor da Trinta por uma Linha, cuja editora e obra pessoal têm dado um contributo notável à formação de jovens leitores e ao pensamento sobre o papel social da palavra. Coube a Isabel Lemos, membro do júri da edição de 2025 do referido prémio literário, o papel determinante de aguçar a curiosidade do público e despertar o interesse pela leitura da obra, evidenciando a sua qualidade literária e a forte ligação ao território.
O dia culminou com o jantar literário “Mesa de Palavras Livres”, realizado no restaurante “A Prova dos Novos”, na Pampilhosa, que proporcionou um espaço intimista de convívio em torno da literatura. Durante o jantar, o recital/concerto “Casas de Silêncio”, de Tânia Fernandes e Ustad Fazel Sapand, combinou poesia persa traduzida para português com música tradicional afegã ao rubab e santoor, explorando temas como o exílio, a resistência cultural e o papel da voz das mulheres. Um projeto que procura afirmar a música e a poesia como formas de resistência espiritual e cultural.