A influência de João de Ruão, figura central da Escola da Renascença Coimbrã, na escultura renascentista portuguesa e a sua produção escultórica na região de Coimbra foram tema de debate e análise durante dois dias, por ocasião do "IV Encontro Cantanhede – História, Arte e Património", uma coorganização da Câmara Municipal de Cantanhede, Universidade Aberta e Círculo Português de Estudos Humanísticos, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.
O evento, que iniciou na última sexta-feira, 27 de março, em Cantanhede, e no dia seguinte passou por Coimbra, termina a 15 de abril, em Lisboa, com visita a algumas das suas mais famosas obras.
A obra e percurso deste reconhecido mestre, que tem como um dos seus expoentes máximos o magnífico retábulo da Capela da Varziela, é há muito conhecida e estudada, como salientou o vice-presidente da Câmara Municipal de Cantanhede, Pedro Cardoso, na sessão de abertura.
“O programa deste Encontro destaca uma figura maior da escultura de um período áureo da arte portuguesa, mas também evidencia a sua ligação a essa matéria prima por excelência que é a pedra de Ançã, que transformou num tesouro artístico”, observou. A par disso, continuou o autarca, “há uma feliz coincidência do tema com o facto deste ano celebrarmos os 25 anos do Museu da Pedra, espaço cultural de referência incontornável, pela sua dimensão museológica, científica, educativa e pedagógica, assim como a dimensão social e cultural da maior relevância”.
“O Museu da Pedra é a menina dos olhos de um concelho que teve a felicidade de ter no seu espaço a matéria prima por excelência da renascença coimbrã”, complementou.
Pedro Cardoso congratulou-se, também, pelo facto destes Encontros assumirem “um papel fundamental na investigação e partilha de saberes, contribuindo para a preservação da memória coletiva e para a compreensão das dinâmicas históricas de Cantanhede, contando para tal com a chancela de prestigiadas instituições académicas”.
Também o vice-reitor da Universidade Aberta, José Sales, destacou o “programa muito rico e diversificado” do evento, enquanto Fernando Larcher, da comissão organizadora, falou do “cruzamento do percurso de João de Ruão com Cantanhede” enquanto mote para estas jornadas.
Na conferência inaugural que se seguiu, subordinada ao tema “João de Ruão: questões em aberto”, a professora jubilada de História de Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Maria de Lurdes Craveiro deu conta que mais do que trazer certezas, a sua intervenção se centraria nas “dúvidas” que ainda subsistem sobre o trabalho do prestigiado escultor. “É este o papel desafiante dos historiadores”, sintetizou.
“Apurar quem foi realmente João de Ruão, sobre o qual a historiografia se tem debruçado há mais de um século e sobre o qual pendem tantas incógnitas, constitui um desafio que ainda estará longe de uma decifração satisfatória”, reforçou a antiga secretária de Estado da Cultura.
Ao longo do dia decorreram três painéis temáticos e respetivos debates, que revisitaram a personalidade de João de Ruão, os seus laços familiares e a génese da obra.
O programa terminou com uma visita guiada, pelo escultor Alves André, à capela dos Meneses, na Igreja Matriz de Cantanhede, e a inauguração da exposição “Cantanhede nos Itinerários de João de Ruão”, que está patente ao público na praça Marquês de Marialva.
Já no sábado, 28 de março, o Encontro passou por Coimbra, com visitas à Sé Velha e ao Mosteiro de Santa Cruz, espaços onde João de Ruão executou alguns dos seus trabalhos.
O "IV Encontro Cantanhede – História, Arte e Património" termina em Lisboa, a 15 de abril, com passagens pela Igreja da Luz, Museu do Centro Cultural Casapiano e Mosteiro dos Jerónimos.