Foi lançado o livro “Monumentos Vivos, Óleo Sagrado: Um Património Biocultural do Mediterrâneo e da Humanidade”, uma obra coordenada por investigadores do CiTUR – Leiria (Centro de Investigação, Desenvolvimento e Inovação em Turismo), sediado na Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar (ESTM), em Peniche. A publicação pretende homenagear o património associado à oliveira e sensibilizar para a adoção de boas práticas que contribuam para a sua preservação e para o desenvolvimento do olivoturismo, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.
A obra encontra-se já disponível para o público, incluindo numa versão digital gratuita, e reúne conteúdos sobre as origens da oliveira, o processo de produção de azeite e os seus benefícios, bem como o papel que o olivoturismo pode desempenhar no desenvolvimento dos territórios.
Segundo Francisco Dias, docente da ESTM e um dos coordenadores do livro, a oliveira assume um papel central nas paisagens e culturas mediterrânicas há mais de quatro mil anos. Atualmente, continua a ser uma das culturas mais difundidas na região, ocupando quase 10 milhões de hectares, uma área significativamente superior à dedicada à viticultura. O investigador sublinha ainda que, em torno da olivicultura, se desenvolve um conjunto diversificado de saberes e práticas que integram o património olivícola, desde atividades laborais e rituais até à gastronomia.
O livro está organizado em cinco partes. A primeira aborda a presença da oliveira e do azeite na antiguidade, incluindo a mitologia associada à árvore e os usos históricos do azeite, com referência ao período do Império Romano. A segunda secção centra-se no cultivo da oliveira, na longevidade da espécie e na preservação dos olivais tradicionais, bem como no crescente interesse pelas oliveiras ornamentais.
A terceira parte dedica-se à produção de azeite, analisando aspetos relacionados com a produção e o comércio deste produto em Portugal. Segue-se um capítulo sobre o consumo de azeite, que explora a sua presença na gastronomia, na saúde, na cosmética e em rituais coletivos.
A quinta e última secção foca-se no olivoturismo, reunindo estudos recentes sobre atividades e experiências ligadas ao setor, motivações dos visitantes, eventos associados ao Dia Mundial da Oliveira em Portugal e desafios à consolidação desta vertente turística no país.
Para Francisco Dias, a inclusão do património olivícola na cadeia de valor do turismo representa simultaneamente um desafio e uma oportunidade para as comunidades locais dos territórios onde o olival tem forte presença. O investigador estabelece ainda um paralelo entre o olivoturismo e o enoturismo, destacando as semelhanças entre ambos, desde a ligação à natureza e ao saber-fazer associado à produção até ao papel da gastronomia e da saúde.
A obra baseia-se em conteúdos desenvolvidos no projeto europeu Olive4All, realizado entre 2021 e 2025, e contou com o apoio do projeto FAST – Ferramentas de Apoio à Sustentabilidade do Turismo, liderado por investigadores do polo do CiTUR do Politécnico de Leiria.
O livro reúne contributos de investigadores de várias instituições de ensino superior e investigação, incluindo os politécnicos de Leiria, Porto, Bragança, Tomar e Beja, bem como as universidades de Coimbra e da Madeira, sob coordenação dos docentes da ESTM Francisco Dias e Fernanda Oliveira.