A concelhia do CDS-PP em Pombal criticou o recurso a plataformas de financiamento colaborativo por parte de entidades públicas envolvidas na recuperação da Região Centro, na sequência dos danos provocados pela tempestade “Kristin”, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.
Em carta aberta dirigida às entidades públicas e à população, os centristas manifestam reservas quanto à utilização deste tipo de mecanismos por uma estrutura de missão criada pelo Estado, “Reconstrução da região Centro do País”, responsável por coordenar os esforços de recuperação, reconstrução e revitalização das zonas afetadas.
Segundo o documento, o financiamento colaborativo deverá ser um instrumento complementar e vocacionado para entidades sem recursos suficientes, sendo questionável a sua aplicação por organismos públicos que dispõem de financiamento proveniente de impostos. A concelhia defende, por isso, que compete ao poder político assegurar uma gestão eficiente e adequada dos recursos disponíveis.
Os responsáveis locais levantam ainda dúvidas sobre a seleção dos projetos incluídos na iniciativa, oito, de acordo com informação divulgada pelo Município de Pombal, e questionam se outras intervenções relevantes terão ficado excluídas. Entre as questões colocadas estão também os critérios de escolha e a necessidade efetiva de recorrer a este modelo de financiamento.
Apesar de reconhecerem a importância da requalificação de espaços públicos, os centristas defendem maior rigor, proporcionalidade e impacto na definição dos investimentos. Como alternativa, sugerem que o executivo municipal reavalie prioridades orçamentais, podendo adiar ou cancelar projetos previstos para libertar verbas destinadas à recuperação e ao apoio direto às populações.
A carta destaca ainda as dificuldades enfrentadas por proprietários rurais e agentes económicos, nomeadamente na limpeza de terrenos agrícolas e florestais, apontando falta de meios técnicos, financeiros e humanos. São também referidas práticas consideradas inadequadas por parte de alguns operadores do setor da madeira.
Como medida prioritária, a concelhia propõe a criação de equipas locais de limpeza, com participação de voluntários, autarcas, bombeiros e representantes das juntas de freguesia, defendendo que esta solução poderá responder às necessidades mais urgentes no território.
O documento termina com um apelo a uma atuação eficaz das entidades responsáveis, sublinhando que o partido acompanhará de perto a evolução do processo de reconstrução na região.
