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Lonas e desenhos familiares transformados em acessórios e peças de moda

Redação Central Press/
10/04/2026, 09h19
/
4 min
Hub criativo @CM Covilhã
Hub criativo @CM Covilhã

Antigas lonas de outdoors publicitários e desenhos feitos no seio familiar de um designer de moda estão a renascer em acessórios pessoais e em peças de vestuário no Hub Criativo Portas do Sol, um espaço criado pelo Município da Covilhã para promover a produção artística, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.

O projeto do Hub Criativo arrancou em 2025 com o polo têxtil, a funcionar na antiga Casa dos Magistrados, e visa o acolhimento de talentos, designadamente alunos a finalizar a sua formação e jovens em início de carreira, que têm ao dispor equipamentos e apoio técnico para a concretização de projetos artísticos na área do têxtil.

Afirmando-se como um espaço de experimentação e capacitação para a comunidade, este projeto faz uma aposta clara na sustentabilidade, promovendo o reaproveitamento de excedentes e de desperdícios têxteis que são oferecidos pelas empresas da região, em regime de mecenato.

“Também queremos promover a sensibilização e capacitação relativamente à redução da pegada ecológica no setor da moda”, explicou a vereadora com o pelouro da Cultura, Regina Gouveia, na sessão de apresentação do projeto, realizada nesta quinta-feira, dia 9 de abril.

É igualmente a questão da sustentabilidade que serve de âncora no projeto que está a ser desenvolvido naquele espaço e que passa pela reutilização de lonas de outdoors publicitários, transformando-as em acessórios como carteiras, bolsas de praia, bolsas de telemóvel, chapéus, capas de livros e de blocos, entre outros.

Um trabalho que evita que as lonas acabem em aterro e no qual também são utilizados desperdícios têxteis, nomeadamente para a confeção dos forros. Estas novas peças cumprem o objetivo da sustentabilidade e continuam a comunicar, seja pelo padrão que recupera o evento que tinha sido publicitado, seja através da memória descritiva que acompanha a peça, detalhando os materiais usados e respetiva proveniência.

“São peças que nos dão pistas e nos convidam a partir à descoberta”, resumiu Regina Gouveia, lembrando que, por outro lado, o projeto também se interliga com a chancela da Covilhã como Criativa da UNESCO na área do Design.

As criações resultam do design desenvolvido nos serviços municipais e do saber fazer de uma técnica de apoio ao serviço educativo e de formação, que, além dessas tarefas, executa os trabalhos de corte, costura e confeção de cada material. Com larga experiência no setor têxtil, esta antiga operária fabril encontra neste projeto uma motivação extra e mais uma forma de aplicar os seus conhecimentos.

“O principal desafio foi adaptar-me a uma nova textura, depois foi pôr a imaginação a funcionar e experimentar. Vou experimentando, testando e fazendo”, contou Luísa Matos.

Luísa Matos trabalha no mesmo espaço que, durante os últimos meses, acolheu Nuno Gomes, enquanto mestrando do curso de Design de Moda da Universidade da Beira Interior a desenvolver a parte prática de um projeto que explora a componente técnica e simbólica da alfaiataria tradicional. No final, e explorando novas oportunidades estéticas para técnicas de alfaiataria, este estudante criou peças de vestuário de moda que incorporam desenhos feitos pelas primas mais novas e cores ligadas à sua infância. Também não esqueceu a componente da sustentabilidade, bem presente na seleção das matérias-primas e materiais com menor impacto ambiental.

Nuno Gomes, que, entretanto, já está a trabalhar como designer numa empresa do concelho, destacou ainda a importância que o Hub Criativo Portas do Sol teve no seu percurso académico e início da vida laboral. “Sem o Hub não conseguia financiar o projeto e ter acesso a estas condições”, resumiu.

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