A implementação das medidas de mitigação na Central de Biomassa do Fundão continua a ser motivo de impasse entre a empresa responsável, moradores e forças políticas locais, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.
Em causa está o cumprimento de um acordo celebrado em janeiro de 2025, resultante de uma decisão judicial favorável aos residentes da zona da Gramenesa, que prevê a redução de impactos ambientais e sonoros. O referido acordo estipulou a limitação do ruído, com restrições específicas para o período noturno, o condicionamento de operações poluentes e a instalação de barreiras acústicas. Adicionalmente, o documento determinou o controlo de poeiras, intervenções de melhoria nas habitações afetadas e o pagamento de indemnizações aos moradores.
No entanto, a aplicação prática destas medidas é alvo de versões contraditórias. Enquanto a empresa gestora da central afirma estar a cumprir as obrigações e a implementar as soluções de mitigação, os moradores da Gramenesa relatam a persistência de problemas graves, nomeadamente ruído excessivo, poeiras e cinzas. Esta situação motivou o avançar de novas ações judiciais e a continuidade da contestação pública.
A CDU do Fundão, que acompanha o processo desde 2020, reafirmou a 9 de abril de 2026 a necessidade de garantir o cumprimento rigoroso do que foi acordado em tribunal. A força política, que tem promovido reuniões com as populações e visitas de deputados ao local, sublinha que "não basta celebrar acordos" e exige que as entidades competentes assumam a fiscalização efetiva do processo.
O partido defende que o desenvolvimento económico do concelho não deve comprometer a saúde pública nem a qualidade de vida das comunidades, instando a que o interesse público prevaleça sobre os interesses económicos da infraestrutura.
O conflito permanece sem resolução definitiva, aguardando-se agora o desfecho das novas diligências jurídicas e o reforço da monitorização técnica no local.