O Secretariado Nacional da FENPROF emitiu, a 10 de abril de 2026, um comunicado onde contesta as recentes afirmações do ministro da Educação, Fernando Alexandre, sobre a escassez de docentes em Portugal, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.
Em causa está a declaração do governante de que existiriam 10 mil professores disponíveis no Norte do país que optam por não se deslocar para Lisboa, afirmação que a federação sindical classifica como uma "barreira de fumo" para ocultar as causas reais do problema.
Segundo a estrutura sindical, a narrativa oficial ignora o facto de cerca de 20 mil profissionais terem abandonado a carreira docente na última década e meia. A FENPROF sublinha que a mobilidade dos professores é condicionada por fatores económicos e sociais críticos, nomeadamente o custo de vida nas regiões com maior carência. É apontado que o valor do aluguer de quartos ultrapassa frequentemente os 500 euros, o que, somado aos gastos com deslocações e à manutenção de duplas residências, torna a deslocação financeiramente inviável para muitas famílias.
O documento detalha ainda que as dificuldades de recrutamento já não se limitam ao sul do Tejo e à capital, atingindo agora de forma significativa o distrito do Porto. Para o sindicato, os vínculos e responsabilidades familiares são tratados pela tutela como "obstáculos menores", enquanto os incentivos estatais existentes são descritos como "gestos simbólicos" que não acompanham o aumento da inflação nos combustíveis e nas rendas.
A crise no setor reflete-se também na formação inicial, com os dados da federação a indicarem que entre 28% e 35% dos alunos inscritos em cursos de formação docente desistem antes de concluir os estudos. Dos que terminam a formação, muitos evitam ingressar na profissão devido à precariedade, aos baixos salários e às reduzidas perspetivas de progressão na carreira.
A FENPROF rejeita a visão dos docentes como "voluntários" ou "missionários" que devam suportar condições adversas de forma infinita.
A organização defende que a resolução da escassez de professores passa obrigatoriamente pela valorização da carreira, através de salários justos, estabilidade e condições de trabalho dignas, concluindo que o desafio central é transformar o ensino numa profissão que "valha a pena abraçar".
