A Direção e o Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas (SJ) emitiram um comunicado, a 12 de abril, no qual condenam a conduta da presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, perante um jornalista da agência Lusa.
O organismo considera que as ações da autarca constituem uma "violação grave da liberdade de imprensa" e um ataque ao profissionalismo do repórter. O incidente ocorreu durante a reunião do executivo municipal na última sexta-feira, dia 10 de abril. Na ocasião, a autarca acusou o jornalista, que acompanha regularmente as sessões, de “faltar à verdade” e de incorrer em “falhas deontológicas graves” na sequência de uma peça jornalística sobre a Casa do Cinema. Ana Abrunhosa afirmou ainda ter deixado de ter confiança no profissional.
Segundo o SJ, o caso não se limita a críticas verbais, envolvendo ações concretas de condicionamento. O SJ aponta tentativas de afastar o jornalista da cobertura da autarquia, pressões junto da agência Lusa para a sua substituição, limitação do acesso a fontes e reuniões públicas, bem como a exclusão do repórter da lista de contactos institucionais.
Para o sindicato, estes comportamentos configuram restrições reais ao exercício da atividade jornalística e são incompatíveis com o Estado de direito democrático. A estrutura sindical recorda que a contestação de notícias deve ser feita através de mecanismos próprios, como o direito de resposta, e não por via da intimidação ou do silenciamento.
O SJ sublinha que a atuação da autarca representa uma tentativa de descredibilização pública de um profissional, visando limitar o escrutínio democrático sobre o poder político local.
O comunicado conclui que a liberdade de imprensa não pode ser condicionada por conveniências políticas, classificando qualquer tentativa de limitação como uma afronta ao regime democrático.
