Inspirado na visão distópica de “1984”, de George Orwell, o “K Cena - Projeto de Teatro Jovem”, promovido pelo Teatro Viriato, estreia, nos dias 15, 16 e 17 de abril, a peça “2062”, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.
O espetáculo cruza passado, presente e futuro para refletir sobre liberdade, emoção e resistência, numa sociedade cada vez mais dominada pela tecnologia. Nesta edição do projeto, o encenador João Branco divide a cocriação da peça com 14 jovens da região de Viseu, com idades entre os 15 e os 26 anos.
Partindo da obra escrita em 1948, mas que continua a ressoar na atualidade, “2062” procura transportar o público para um futuro onde sentir se tornou um ato subversivo. A peça acompanha um grupo de jovens que descobre cartas manuscritas por si próprios 36 anos antes, em 2026, revelando memórias, afetos e sonhos que persistem, mesmo num contexto social marcado pela crescente automatização e pelo controlo.
“O amor e a liberdade são formas de resistência a estilos de vida que nos estão a ser impostos não só pelos algoritmos, mas sobretudo por quem controla os algoritmos e tem o monopólio dos portais tecnológicos, em relação aos quais já ninguém vive sem. Embora estes sejam de uma utilidade grande, e que não é inocente, isso não deixa de fazer com que controlem a nossa existência. O “Grande Irmão” já está aí instalado. Daí também a vontade de retratar um universo pessimista, mas sempre com uma perspetiva de uma luz ao fundo do túnel, da esperança que nos é dada principalmente pelos afetos, pelo amor, pelos abraços. Tudo coisas que são proibidas no mundo distópico que colocamos em palco”, explica o encenador João Branco.
Resultado de um processo criativo desenvolvido ao longo de seis meses, o espetáculo reflete também o empenho, a entrega e a visão crítica dos 14 jovens intérpretes. “2062” é, assim, o retrato de uma geração pressionada pelas exigências do presente, mas que recusa abdicar da sua humanidade.
“O lado visual desta peça vai ser muito impactante. Estou expectante para ver como as pessoas reagem a este universo distópico e às linhas de rompimento dessa organização extremamente controlada. De um sistema que também reage às suas “imperfeições”. E que para nós, obviamente, não são imperfeições”, refere.
"Mais do que uma peça de teatro, esta criação afirma-se como um manifesto: numa era dominada por códigos e máquinas, o coração continua a ser a mais poderosa tecnologia de resistência", lê-se no comunicado.
O espetáculo sobe ao palco nos dias 15 e 16 de abril, com sessões para escolas, e, no dia 17 de abril, estreia para o público geral às 19h00. Os bilhetes podem ser adquiridos na bilheteira e site do Teatro Viriato e na BOL.