A Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra (ESEUC) e a Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra vão testar um modelo de consulta híbrida, que conjuga o acompanhamento presencial com o digital, destinado a pessoas com doença vascular crónica. O projeto, denominado "mVasc.4U", foca-se inicialmente em utentes com doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) submetidos a cirurgia e nos seus cuidadores informais, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.
Coordenada por enfermeiros com apoio de uma equipa multidisciplinar, a consulta será implementada no Serviço de Angiologia e Cirurgia Vascular da ULS de Coimbra. O modelo prevê a utilização de monitorização remota, educação digital e acompanhamento estruturado através de chamadas, videochamadas e conteúdos audiovisuais personalizados. O objetivo central é reforçar a capacitação do utente e do cuidador, promovendo a autonomia na gestão da doença e a adesão ao tratamento para prevenir complicações.
A DAOP carateriza-se pela acumulação de placas de gordura nas artérias e está associada a um elevado risco cardiovascular, afetando mais de 200 milhões de pessoas a nível mundial. Segundo os responsáveis pelo projeto, a prevalência da doença tem aumentado devido a fatores como a diabetes e o tabagismo, sendo frequentemente subdiagnosticada em Portugal, o que torna essencial o diagnóstico precoce e a orientação das intervenções.
O desenho final do modelo de consulta será definido ao longo de 18 meses, dependendo de um estudo inicial sobre as necessidades dos serviços e as experiências de utentes e profissionais. A iniciativa é um de quatro projetos de investigação clínica desenvolvidos em cocriação entre a ESEUC e a ULS de Coimbra, tendo sido distinguida com um prémio de 10 mil euros financiado pelas duas instituições.
A equipa multidisciplinar inclui especialistas das áreas de Enfermagem, Medicina, Psicologia e Informática.