Um estudo exploratório realizado por investigadores da Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra (ESEUC) indica que, embora os cidadãos portugueses tenham uma imagem positiva dos enfermeiros, a maioria considera que o reconhecimento social da profissão é insuficiente, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.
De acordo com a investigação “(Re)Conhecimento Social dos Enfermeiros - Perceções na sociedade portuguesa”, 72,6% dos inquiridos acreditam que a valorização da carreira está “abaixo do que deveria ser”. Os dados revelam que os enfermeiros são amplamente qualificados como profissionais “atenciosos” (84,4%), “simpáticos” (83,8%) e “empáticos” (74,0%).
No que respeita ao prestígio socioeconómico, a amostra atribuiu à profissão uma nota de 7,5 numa escala de 1 a 10, um valor próximo do atribuído a advogados (7,8) e engenheiros (7,7). Refletindo esta valorização, 65,9% dos participantes afirmaram que encorajariam os seus filhos a estudar Enfermagem.
Contudo, o estudo detetou uma lacuna no conhecimento sobre a autonomia e competências técnicas da classe.
Cerca de 61,5% dos inquiridos não concordam que os enfermeiros possam tomar decisões de forma autónoma, e pouco mais de metade reconhece como sendo de total responsabilidade destes profissionais tarefas como a colocação de perfusões endovenosas ou sondas.
Inversamente, a maioria dos participantes (71,6%) entende que a prescrição de medicamentos não faz parte das funções da enfermagem.
Os autores da investigação sublinham que estes resultados refletem uma “visão anacrónica da profissão”, ainda muito associada ao cumprimento de tarefas em detrimento do raciocínio clínico e da capacidade investigativa.
Perante este cenário, os investigadores defendem a necessidade de uma comunicação mais eficaz sobre os múltiplos papéis que os enfermeiros desempenham na prestação de cuidados, na administração e na saúde pública.
Este trabalho integra o projeto internacional “EQUANU”, que estuda a imagem social da profissão em dez países europeus, e terá continuidade através de uma análise longitudinal até 2031.
