A Câmara Municipal da Sertã promoveu, no passado dia 4 de maio, no Salão da Assembleia Municipal, a sessão “Migração, Refúgio e Vulnerabilidades Acrescidas”, integrada nas comemorações do Dia Internacional da Mulher, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.
A iniciativa teve início com a intervenção de Ana Margarida Alves, vereadora da Ação Social, que destacou a importância de dar visibilidade às realidades das mulheres migrantes e aos desafios específicos que enfrentam, recordando o seu papel acrescido com os desafios da maternidade. “Atravessaram fronteiras, trazendo os seus sonhos e correndo riscos e, ainda assim, continuaram a ser pilares”, sublinhou Ana Margarida Alves. Referindo-se à história portuguesa e aos diversos fluxos migratórios, a autarca referiu que “migração não é problema, é sinal do tempo e de evolução”.
Seguiram-se as intervenções de Cynthia de Paula, vice-presidente da Casa do Brasil de Lisboa, psicóloga comunitária e ativista pelos direitos das pessoas migrantes e de Eugénia Quaresma, diretora nacional da Obra Católica Portuguesa das Migrações e do Secretariado Nacional da Mobilidade Humana.
As duas oradoras trouxeram à reflexão diferentes perspetivas sobre os fenómenos migratórios, com enfoque nas vulnerabilidades acrescidas das mulheres, mas também na sua resiliência e contributo para as sociedades de acolhimento. Cynthia de Paula abordou alguns mitos relacionados com a migração, questões de empregabilidade e a inversão que se tem vindo a registar nos últimos anos com as mudanças legislativas e relembrou o imperativo de se pensar numa perspetiva mais global.
Dada a proximidade temporal, Eugénia Quaresma relembrou as efemérides do 25 de Abril e 1.º de Maio recordando valores como a Liberdade, Democracia, Direito ao Trabalho e a Independência, essenciais para cada mulher em qualquer parte do mundo. Abordou os objetivos de desenvolvimento sustentável, metas globais preconizados pela Assembleia Geral e pelo Conselho Económico das Nações Unidas.
Um dos momentos centrais da sessão foi a conversa “Mulheres do Mundo”, moderada pelo jornalista Rui Lopes, que contou com a participação de mulheres migrantes residentes no concelho da Sertã, naturais de Angola, Brasil e Ucrânia. Num ambiente de proximidade e partilha emocionantes, Carla Napoleão, Luciana Félix e Natália Postovit testemunharam percursos de vida marcados por desafios, superação e integração.
Residentes atualmente na Sertã, partilharam diversos episódios relacionados com sua chegada a Portugal e a sua fixação e vida diária na Sertã, dizendo que se sentem acolhidas, em casa e em família, e sem pretensões de regressar às origens (voltando apenas para visitar a família).
A sessão culminou com uma homenagem a mulheres do concelho que vivenciaram no passado a emigração na primeira pessoa, com a distinção de duas representantes por cada uma das dez freguesias do município. Foram evocadas experiências de emigração em países como Canadá, Alemanha, Suíça, França e Brasil, num momento simbólico de reconhecimento e valorização das suas histórias de vida.
Mulheres homenageadas:
Freguesia do Cabeçudo:
- Isabel Maria Nunes Rodrigues Fernandes, esteve emigrada no Canadá durante cerca de 15 anos;
- Natércia Ramalhosa, esteve emigrada na Alemanha durante cerca de 30 anos.
Freguesia do Carvalhal:
- Tânia Xavier Mendes, esteve emigrada na Suíça durante cerca de 30 anos;
- Irina da Silva Nunes Costa, esteve emigrada na Suíça durante cerca de 10 anos.
Freguesia do Castelo:
- Esmeralda Aires Fernandes Henriques, esteve emigrada na França durante cerca de 20 anos;
- Maria de Lurdes da Silva Almeida, esteve emigrada na Suíça durante cerca de 20 anos,
União de Freguesias de Cernache do Bonjardim, Nesperal e Palhais:
- Maria da Conceição Almeida Caetano, esteve emigrada em França durante cerca de 45 anos;
- Paula Novo, esteve emigrada na França durante cerca de 16 anos.
União de Freguesias de Cumeada e Marmeleiro:
- Maria Amélia Marçal da Silva Cardoso, esteve emigrada na França durante cerca de 60 anos;
- Dina Isabel Alves Pereira Nunes, esteve emigrada no Brasil durante cerca de 28 anos.
União de Freguesias de Ermida e Figueiredo:
- Conceição Farinha Fernandes, esteve emigrada na França durante cerca de 29 anos;
- Maria de Lourdes Farinha Martins Miranda, esteve emigrada na Suíça durante cerca de 36 anos.
Freguesia de Pedrógão Pequeno:
- Dália de Jesus, esteve emigrada na Alemanha durante cerca de 15 anos;
- Carla Patrícia Faria Calisto, esteve emigrada na França durante cerca de 13 anos.
Freguesia da Sertã:
- Susana Maria Diniz Nunes Gonçalves, esteve emigrada na França durante cerca de 28 anos;
- Ana Maria Alves António Cardoso, esteve emigrada na Suíça durante cerca de 23 anos.
Freguesia do Troviscal:
- Maria dos Prazeres Antunes da Silva, esteve emigrada em França durante cerca de 10 anos;
- Ana Bela Salta Silva, esteve emigrada na Suíça durante cerca de 11 anos.
Freguesia de Várzea dos Cavaleiros:
- Maria Graciosa Farinha Antunes Alves, esteve emigrada na Suíça durante cerca de 12 anos;
- Maria de Lurdes Fernandes Luís Lourenço, esteve emigrada na Suíça durante cerca de 6 anos.
No encerramento da sessão, o presidente da Câmara Municipal da Sertã, Carlos Miranda, manifestou solidariedade para com todas as experiências de emigração, partilhando também a sua vivência pessoal enquanto emigrante e filho de emigrantes.
Inicialmente previstas para o mês de março, as comemorações do Dia Internacional da Mulher foram reagendadas devido às condições meteorológicas adversas que se fizeram sentir no início do ano. Assinalada a 8 de março, esta efeméride, instituída pelas Nações Unidas em 1975, visa reconhecer as conquistas das mulheres e reforçar a reflexão em torno da igualdade de género e dos direitos humanos.