A Câmara Municipal de Coimbra (CMC) anunciou, a 6 de maio, que vai retomar a empreitada de requalificação da Avenida Elísio de Moura, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.
A decisão baseia-se num parecer técnico e científico independente, elaborado pelo Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra, que confirma a impossibilidade de manter os atuais pinheiros-mansos (Pinus pinea) sem comprometer a segurança rodoviária e pedonal. O estudo diagnóstico identificou uma "incompatibilidade estrutural" entre a espécie e o subsolo da avenida.
A análise revelou a existência de um pavimento antigo enterrado a cerca de 80 centímetros de profundidade, que funciona como uma barreira impermeável, impedindo o desenvolvimento das raízes em profundidade. Este fenómeno, descrito como um "efeito de colete de forças", forçou as raízes a crescerem horizontalmente, rompendo o asfalto e os lancis, o que já resultou em dois acidentes graves.
Além dos danos no pavimento, o parecer aponta um risco elevado de queda das árvores em condições meteorológicas adversas, uma vez que estas apresentam copas pesadas mas carecem de ancoragem profunda devido à falência da raiz pivotante.
O transplante dos exemplares foi oficialmente descartado por ser considerado inviável técnica e financeiramente, com custos estimados entre 5.000 e 15.000 euros por árvore e taxas de insucesso que podem atingir os 90%.
A retomada da obra, que incluiu um processo de auscultação de movimentos cívicos e associações ambientais, prevê a correção das condições estruturais do subsolo através do rompimento da laje enterrada.
A futura requalificação integrará uma nova estratégia de arborização com espécies mais resilientes e adequadas ao meio urbano, como a Olaia, o Ginkgo ou a Árvore-de-Júpiter, visando garantir a segurança pública e a sustentabilidade do espaço a longo prazo.