Um estudo conduzido pela Universidade de Coimbra (UC) concluiu que 85,4% da população portuguesa considera que os cuidados paliativos devem ter uma prioridade elevada ou máxima no Serviço Nacional de Saúde (SNS). A investigação, realizada entre 8 e 24 de maio de 2026, revela um consenso social sobre a importância do reforço do investimento nesta área, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.
Os dados apuram que 65,4% dos portugueses prefere morrer em casa (58,1% na própria habitação e 7,3% em casa de familiares), enquanto apenas 8,1% escolheria uma unidade de cuidados paliativos. Esta tendência representa um aumento face a 2010, ano em que a preferência pelo domicílio se fixava nos 51%. O estudo indica ainda que mais de metade dos inquiridos (55,1%) já prestou cuidados a familiares ou amigos em fim de vida.
A coordenadora do estudo, Bárbara Gomes, alerta para a estagnação do número de equipas domiciliárias de cuidados paliativos no SNS, que se mantém praticamente inalterado há dez anos.
A investigadora sublinha que o sistema tem contado com o apoio da Fundação “la Caixa”, responsável pela criação de cinco novas equipas desde 2021, sem as quais o número de respostas seria inferior ao registado há uma década.
Perante estes resultados, as investigadoras defendem o redirecionamento de verbas para atrair e reter profissionais através de incentivos financeiros.
Segundo o estudo, a presença de equipas especializadas no terreno duplica a probabilidade de os doentes poderem permanecer no domicílio com controlo adequado de sintomas.
O trabalho foi financiado pela Cátedra Floriani em Cuidados Paliativos da Faculdade de Medicina da UC e pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).
