A candidatura das "Fortalezas Baluartadas da Raia" (FAR) será submetida à apreciação do Comité do Património Mundial da UNESCO em Busan, na Coreia do Sul, entre 19 e 29 de julho de 2026, apesar de um parecer técnico desfavorável. A decisão de manter o processo vivo foi tomada após uma reunião de urgência no Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), no dia 15 de junho, entre os municípios proponentes e a Comissão Nacional da UNESCO (CNU).
Segundo um artigo publicado pelo jornal Expresso, esta poderá ser a quarta vez consecutiva que Portugal vê frustrada a conquista de um selo da UNESCO, num jejum que dura desde 2019.
O Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS), organismo consultivo da UNESCO, recomendou formalmente o adiamento da proposta por considerar que o "Valor Universal Excecional" não está suficientemente fundamentado. De acordo com o relatório técnico citado pelo Expresso, a natureza e o âmbito do sistema de defesa criado durante a Guerra da Restauração continuam "insuficientemente definidos" no dossiê atual.
Em contrapartida, num comunicado de imprensa emitido pelos Municípios de Almeida, Marvão e Valença, os autarcas revelam ter sido notificados da avaliação negativa a 1 de junho. No documento, os promotores defendem que uma "maior proximidade e acompanhamento institucional" por parte do Estado teria contribuído para um melhor desenvolvimento do processo. Os municípios asseguram ter respondido a todos os pedidos de esclarecimento e não identificam procedimentos alternativos que pudessem ter conduzido a uma apreciação mais favorável.
Apesar das críticas do ICOMOS, a Comissão Nacional da UNESCO transmitiu aos proponentes que existe viabilidade para manter a candidatura ativa na sessão de Busan. O objetivo é recolher orientações diretas do Comité para enquadrar os ajustes necessários, reconhecendo que existem aspetos que carecem de revisão.
O cenário de incerteza em torno das Fortalezas da Raia ocorre após recentes reveses em candidaturas como as da Fundação Calouste Gulbenkian, da Obra de Siza Vieira e das Levadas da Madeira.
Enquanto o Instituto do Património Cultural remete explicações sobre estes insucessos para o MNE, a delegação portuguesa do ICOMOS aponta a existência de um "ponto focal" institucional que deveria orientar estes processos.
Os municípios de Almeida, Marvão e Valença reiteram o seu "firme compromisso" com a valorização do património, reservando a possibilidade de uma nova submissão formal após a auscultação em Busan.
