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FENPROF contesta financiamento público para creches com horários superiores a 11 horas

Redação Central Press/
27/06/2026, 10h18
/
2 min
FENPROF frente à Assembleia da República @FENPROF
FENPROF frente à Assembleia da República @FENPROF

O Governo anunciou um reforço do financiamento complementar para creches dos setores social, solidário e privado que pratiquem horários de funcionamento alargados, superiores a 11 horas diárias, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.

A medida, justificada pelo executivo como um reforço do apoio às famílias, tem suscitado a oposição da Federação Nacional dos Professores (FENPROF), que alerta para as implicações no desenvolvimento infantil e nos direitos de parentalidade.

De acordo com a estrutura sindical, o incentivo financeiro a horários prolongados constitui uma medida que afasta os elementos do agregado familiar por períodos excessivos.

A FENPROF argumenta que esta prática ignora as necessidades de um desenvolvimento harmonioso, podendo comprometer a vinculação afetiva, o desenvolvimento emocional e os ritmos biológicos das crianças, designadamente ao nível do sono e da alimentação.

No plano sociolaboral, a organização considera que a medida promove a desregulação dos horários de trabalho e contribui para a perpetuação da precariedade laboral e dos baixos salários.

Em alternativa ao que classifica como um "ataque aos direitos das crianças e dos pais", a federação defende a promoção de condições que permitam a conciliação entre a vida profissional e familiar através de direitos de parentalidade efetivos.

O sindicato aponta ainda para problemas estruturais na rede de cuidados, como a falta de vagas e o aumento do rácio de crianças por sala, o que poderá comprometer a qualidade do projeto educativo.

Face a este cenário, a FENPROF reivindica ao Governo a criação de uma rede pública de creches que garanta uma resposta universal, gratuita e de qualidade, focada no bem-estar das crianças e no combate ao défice demográfico.

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