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FENPROF denuncia falhas na organização dos exames nacionais e exige explicações ao Ministério da Educação

Redação Central Press/
28/06/2026, 11h49
/
3 min
Exames nacionais @DR
Exames nacionais @DR

A Federação Nacional dos Professores (FENPROF) considera que os problemas registados na realização dos exames nacionais evidenciam o "falhanço da reorganização do Ministério da Educação". A posição consta de um comunicado enviado à redação, no qual a estrutura sindical descreve um conjunto de alegadas falhas na organização do processo de classificação das provas e exige responsabilidades políticas.

Segundo a FENPROF, continuam a chegar testemunhos de professores classificadores que apontam para um cenário considerado "profundamente preocupante". Entre as situações relatadas encontram-se docentes convocados por escolas onde já não exercem funções, professores aposentados chamados para proceder à classificação de exames e docentes designados para disciplinas que, de acordo com o sindicato, nunca lecionaram.

O comunicado refere ainda a existência de diversos problemas técnicos no processo de classificação, nomeadamente atrasos no envio das provas digitalizadas, respostas incompletas, páginas em falta e outras anomalias que, segundo os testemunhos recolhidos, se repetirão de forma generalizada. A organização sindical considera particularmente grave o facto de existirem grupos de classificadores onde, alegadamente, praticamente nenhum professor recebeu a totalidade das provas em condições consideradas adequadas.

A FENPROF afirma igualmente ter recebido informações sobre alegadas dificuldades no funcionamento do centro de digitalização dos exames nacionais. De acordo com o comunicado, trabalhadores terão sido recrutados por mensagem para realizar tarefas manuais de separação das folhas de resposta, recorrendo inclusivamente a horas extraordinárias para responder às necessidades do serviço.

Para a federação sindical, caso estas informações se confirmem, ficará demonstrado que a anunciada modernização do processo assentou em soluções improvisadas e de emergência, contrariando os objetivos de eficiência inicialmente apresentados.

Embora mantenha a sua posição crítica relativamente aos exames nacionais enquanto instrumento de avaliação, a FENPROF sublinha que, enquanto este modelo existir, compete ao Estado assegurar que todo o processo decorre com rigor, transparência e equidade para todos os alunos.

No comunicado, a estrutura sindical defende ainda que o Governo não pode "esconder-se atrás de organismos intermédios" nem diluir responsabilidades relativamente aos problemas registados. A FENPROF considera "inaceitável" aquilo que classifica como uma desresponsabilização política do Ministério da Educação, Ciência e Inovação.

Neste contexto, a organização exige esclarecimentos sobre quem decidiu a reorganização administrativa, quem assegurou que estavam reunidas as condições necessárias para a sua implementação e quem assume a responsabilidade pelos problemas que, segundo a federação, colocam em causa a confiança num processo determinante para milhares de alunos.

A FENPROF sustenta ainda que, quando uma reforma administrativa compromete a credibilidade dos exames nacionais, deixa de estar em causa uma modernização do Estado para passar a representar um falhanço político que, na sua perspetiva, exige explicações, responsabilização e correções imediatas.

O comunicado termina questionando a anunciada poupança de dezenas de milhões de euros associada à reorganização, defendendo que a redução de recursos à custa do funcionamento da administração educativa, da capacidade de resposta das escolas e da qualidade da avaliação externa não constitui uma verdadeira reforma, mas antes uma degradação do serviço público.

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