A implementação do novo modelo digital para a avaliação externa dos ensinos básico e secundário em Portugal está a ser marcada por irregularidades técnicas e logísticas. Relatos de docentes e do sindicato S.TO.P. apontam para falhas na plataforma de digitalização e gestão de exames, que comprometem a classificação das provas e o calendário escolar, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.
Entre as anomalias reportadas figuram bloqueios constantes no sistema informático, o desaparecimento de menus de perguntas e o envio de exames com páginas em falta ou respostas incompletas para os classificadores. Foram ainda detetados casos de atribuição incorreta de caligrafias a estudantes e a circulação de imagens da prova final de Matemática nas redes sociais antes da sua conclusão.
No plano administrativo, verificaram-se erros nas convocatórias, com a chamada de docentes aposentados, falecidos ou sem habilitação para as disciplinas em causa.
O impacto desta situação estende-se ao acesso ao Ensino Superior, com receios de que a fiabilidade das notas seja afetada e de que ocorram atrasos na publicação de resultados, o que poderia prejudicar o processo de candidaturas. Adicionalmente, o atraso na classificação da primeira fase gera pressão sobre a organização das escolas e sobre o período de férias dos professores.
Em resposta, o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) emitiu um comunicado pedindo desculpa por "constrangimentos técnicos". Contudo, a tutela atribuiu a responsabilidade pelos erros nas convocatórias às direções das escolas.
Por outro lado, as estruturas sindicais rejeitam esta justificação, argumentando que as falhas são estruturais e decorrem de erros nos algoritmos e na infraestrutura central contratada pelo ministério.
