A Food4Sustainability CoLAB (F4S) emitiu uma posição institucional sobre a ocupação intensiva de solos rurais por infraestruturas de produção de energia. Embora a associação reconheça a urgência da descarbonização da economia, defende que a transição energética não deve reproduzir modelos territorialmente extrativos ou ecologicamente regressivos, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.
O laboratório colaborativo manifesta preocupação com a proliferação de megaestruturas que promovem a artificialização de extensas áreas de paisagem natural e rural.
Segundo a organização, a ocupação de solos com potencial produtivo e ecológico tem resultado na redução de serviços ecossistémicos e numa reduzida incorporação tecnológica local, gerando baixo valor acrescentado para as comunidades afetadas.
A F4S sublinha que a sustentabilidade territorial exige a preservação do capital natural e da biodiversidade funcional, não podendo a descarbonização ser analisada exclusivamente através da redução de emissões de carbono.
A posição institucional defende que os territórios do interior devem ser valorizados como ecossistemas multifuncionais que promovam o emprego qualificado e a retenção de valor económico, em vez de servirem apenas como plataformas físicas de produção para consumo externo.
Como alternativas a este modelo, a associação propõe a promoção de modelos agrovoltaicos genuínos, a criação de comunidades energéticas locais e a utilização prioritária de áreas já artificializadas ou degradadas.
O objetivo da F4S é contribuir para um debate público fundamentado em princípios de integridade ecológica e justiça intergeracional.