O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) emitiu um comunicado crítico em relação ao plano de contingência do Ministério da Saúde para lidar com as temperaturas elevadas, afirmando que a estratégia ignora a falta de profissionais no setor, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.
Segundo a estrutura sindical, as Unidades Locais de Saúde (ULS) já operam diariamente em regime de contingência, com especial pressão sobre os serviços de urgência.
De acordo com o documento, as restrições impostas à admissão de novos profissionais para o ano de 2026, com foco particular nos enfermeiros, limitam severamente a capacidade de resposta do sistema público.
O SEP questiona a viabilidade do anunciado reforço das visitas domiciliárias, apontando que as instituições de saúde funcionam atualmente com números mínimos de pessoal e que parte dos efetivos se encontra em período de férias.
O sindicato denuncia ainda as deficiências infraestruturais, alegando que o subfinanciamento das unidades de saúde impede que muitos hospitais e centros de saúde disponham de sistemas de ar condicionado.
A nível socioeconómico, a organização aponta a falta de planeamento para resolver a pobreza energética e os baixos rendimentos, fatores que dificultam o acesso das populações mais vulneráveis ao arrefecimento das suas habitações.
Finalmente, o SEP considera inaceitável que o Ministério da Saúde utilize o aumento da mortalidade em outros países como base para os seus alertas, sem apresentar uma planificação de médio e longo prazo que responda às dificuldades económicas e à carência de recursos humanos no país.
