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Projeto de investigação da UC está a estudar os efeitos do mindfulness no cérebro

Redação Central Press/
02/07/2026, 10h19
/
4 min
Cérebro @freepik
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Uma equipa de investigação, liderada pela Universidade de Coimbra (UC), está a conduzir um estudo que tem como objetivo central compreender os efeitos da prática de mindfulness no cérebro, no funcionamento cognitivo, na saúde mental e no bem-estar, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press. 

O projeto de investigação "MindfulBrain+" quer compreender de que forma a prática regular de mindfulness influencia processos cognitivos associados, como a atenção, o controlo cognitivo e a regulação fisiológica.

A investigação pretende também analisar os efeitos da combinação entre mindfulness e estimulação transcraniana por corrente contínua (tDCS), uma técnica não invasiva de estimulação cerebral que permite modular a atividade neuronal, tornando determinadas áreas do cérebro mais ou menos excitáveis.

“Estudos anteriores sugerem que a prática de mindfulness pode influenciar redes cerebrais ligadas à atenção, à autorregulação e ao processamento emocional. No entanto, ainda não é claro por que razão algumas pessoas beneficiam mais do que outras desta prática, nem que alterações ocorrem simultaneamente no cérebro e no corpo”, explica a docente da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC) e investigadora do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC), Ana Ganho Ávila.

A coordenadora do estudo esclarece ainda que um estudo anterior, publicado em 2025 e que envolveu 107 adultos que não praticavam mindfulness, “mostrou que uma sessão única de mindfulness em realidade virtual não melhora significativamente o desempenho cognitivo, mas houve diferenças na ativação autonómica, sugerindo menor ativação fisiológica, como stress com menor intensidade associada a uma sessão única de mindfulness”.

Neste contexto, de forma a aprofundar o conhecimento sobre esta prática, o "MindfulBrain+" pretende estudar o mindfulness de forma integrada, “combinando o registo da atividade cerebral através de espectroscopia funcional de infravermelho próximo (conhecida como fNIRS, uma técnica de neuroimagem que, através das alterações na oxigenação do sangue, avalia a atividade cerebral), bem como indicadores fisiológicos, como a atividade cardíaca e a resposta autonómica. O projeto inclui também a comparação dos efeitos da prática de mindfulness com os efeitos da estimulação cerebral não invasiva e efeitos da combinação das duas abordagens”, partilha Ana Ganho Ávila.

“Desta forma, será possível compreender os mecanismos que ligam mindfulness, cérebro, corpo e cognição. Estes resultados poderão ajudar a desenvolver, no futuro, estratégias mais personalizadas para promover processos cognitivos que estão na base da regulação emocional e de sintomas comuns como aqueles associados às perturbações de ansiedade e depressão”, sublinha a investigadora e docente da UC.

Neste momento, está a decorrer o recrutamento de voluntários para participar numa fase do projeto que procura compreender estes processos em praticantes experientes de mindfulness. Podem participar adultos entre os 18 e os 65 anos de idade, fluentes em português, com experiência consistente na prática de mindfulness. “Estamos à procura de pessoas que pratiquem regularmente mindfulness há, pelo menos, dois anos e que mantenham uma prática mínima de duas horas semanais, distribuídas por três ou mais dias por semana nos últimos três meses”, partilha a coordenadora do estudo.

A participação envolve o preenchimento de questionários, a realização de uma meditação guiada com duração aproximada de 20 minutos e tarefas destinadas a avaliar diferentes funções cognitivas ao longo de três sessões (uma sessão por mês), agendadas para três meses consecutivos. Algumas sessões vão incluir a aplicação de estimulação cerebral suave através de tDCS. A recolha de dados dos participantes tem lugar em Coimbra, Lisboa e Porto, podendo o participante escolher a cidade mais conveniente.

As pessoas interessadas em participar no "MindfulBrain+" devem inscrever-se aqui.

O projeto é financiado pela Fundação BIAL e envolve investigadores da UC, que trabalham em colaboração com o Laboratório de Estimulação Cerebral Não Invasiva da Faculdade de Medicina da Universidade de Göttingen, e também em parceria com o Instituto de Biofísica e Engenharia Biomédica da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e com a REACH – Clínica de Saúde Mental, sediada no Porto.

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