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Incêndio que teve origem em Vouzela continua a lavrar com cinco frentes ativas

Redação Central Press/
04/07/2026, 12h08
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3 min
Bombeiros no combate a incêndios @Liga dos Bombeiros Portugueses
Bombeiros no combate a incêndios @Liga dos Bombeiros Portugueses

O incêndio florestal que deflagrou na madrugada de quinta-feira, dia 2 de julho, na localidade de Tourelhe, freguesia de Cambra, concelho de Vouzela, continua sem controlo e transformou-se no maior incêndio ativo do país, tendo já atingido os concelhos de Oliveira de Frades, Tondela e Águeda. 

A progressão extremamente rápida das chamas, impulsionada por vento forte, temperaturas elevadas e baixa humidade, originou um incêndio de grande dimensão, com cinco frentes ativas e sucessivas projeções que dificultam o trabalho dos bombeiros. O presidente da Câmara de Vouzela, em declarações à Agência Lusa, descreveu a última noite como "muito complicada", admitindo que o vento fez multiplicar os focos de incêndio e obrigou a constantes alterações na estratégia de combate.

Segundo o site "Fogos", encontram-se mobilizados 1.146 operacionais, apoiados por 380 veículos terrestres e oito meios aéreos, num esforço concentrado sobretudo na proteção de pessoas, habitações e infraestruturas.

Em Águeda, as chamas chegaram durante a madrugada de sexta-feira, dia 3 de julho, aproximando-se rapidamente da cidade após atravessarem a zona serrana do concelho. O incêndio obrigou ao corte da EN333 e provocou a interrupção da circulação ferroviária na Linha do Vouga entre Águeda e Sernada do Vouga. Diversas localidades permaneceram cercadas pelo fumo e várias habitações estiveram sob ameaça direta, embora o principal esforço dos bombeiros tenha permitido evitar consequências mais graves.

Ao longo da noite e da manhã foram realizadas evacuações preventivas em aldeias da serra do Caramulo, particularmente no concelho de Tondela, devido à aproximação da frente de fogo. As autoridades retiraram sobretudo idosos, pessoas com mobilidade reduzida e crianças para locais seguros, mantendo equipas posicionadas para proteger as povoações mais expostas.

O incêndio já consumiu mais de sete mil hectares de floresta e mato, segundo os dados do Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais (EFFIS), sendo considerado um dos mais severos registados este ano em Portugal. A intensidade das chamas provocou ainda a destruição de uma unidade industrial em Vouzela, bem como danos em anexos agrícolas e áreas florestais ao longo de vários quilómetros.

O incêndio provocou pelo menos cinco feridos, entre os quais dois civis em estado grave. Segundo a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), um homem de 55 anos sofreu queimaduras de segundo e terceiro grau quando tentava combater as chamas, enquanto outro, de 34 anos, sofreu um traumatismo craniano após cair de uma carrinha que transportava água para apoio às operações. Ambos foram helitransportados para unidades hospitalares. A ANEPC confirmou ainda três bombeiros com ferimentos ligeiros durante o combate ao incêndio.

O dispositivo de combate deverá manter-se reforçado nas próximas horas, uma vez que as previsões meteorológicas apontam para a continuação de vento e temperaturas elevadas, fatores que continuam a favorecer a propagação do incêndio e a dificultar a sua consolidação.

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