O financiamento de 753 milhões de dólares destinado à modernização e operação do Corredor do Lobito foi formalmente concluído, num passo considerado determinante para a consolidação daquela que é hoje uma das mais importantes infra-estruturas logísticas em desenvolvimento em África.
O anúncio foi feito pelo Ministério dos Transportes de Angola, que destaca o projecto como um elemento central da estratégia nacional para a integração económica regional e para o fortalecimento das ligações entre a África Austral, Central e os mercados internacionais.
Segundo o comunicado emitido pelo Ministério dos Transportes, o pacote financeiro ascende a 753 milhões de dólares, dos quais 553 milhões são disponibilizados pela U.S. International Development Finance Corporation (DFC) e 200 milhões pelo Development Bank of Southern Africa (DBSA).
O financiamento foi assegurado pela Lobito Atlantic Railway (LAR), concessionária responsável pela operação e desenvolvimento do Corredor do Lobito, permitindo apoiar a reabilitação, modernização e operação de longo prazo dos cerca de 1.300 quilómetros de linha ferroviária que ligam o Porto do Lobito à fronteira com a República Democrática do Congo.
Um projecto estratégico para Angola e para África
O Corredor do Lobito é actualmente uma das maiores apostas logísticas do continente africano. O seu eixo principal assenta na ligação ferroviária entre o Porto do Lobito, na província de Benguela, e o interior de África, atravessando Angola até à República Democrática do Congo e prevendo, numa fase posterior, a extensão da ligação ferroviária até à Zâmbia.
Mais do que uma simples ferrovia, trata-se de um corredor económico destinado a facilitar o transporte de mercadorias, matérias-primas, equipamentos industriais e produtos agrícolas entre o interior africano e o Oceano Atlântico.
A localização geográfica de Angola permite reduzir significativamente as distâncias de exportação dos recursos minerais provenientes da chamada Copperbelt, uma das maiores regiões produtoras mundiais de cobre e cobalto, repartida entre a República Democrática do Congo e a Zâmbia.
Com esta infra-estrutura, Angola posiciona-se como uma plataforma logística de referência para o comércio intra-africano e internacional, reforçando igualmente o papel do Porto do Lobito como uma das principais portas de entrada e saída de mercadorias da região.
Uma visão iniciada há mais de um século
A história do Corredor do Lobito remonta ao início do século XX, quando foi construída a então designada Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB).
A ferrovia começou a ser edificada em 1903, alcançando o então Congo Belga em 1929, tornando-se uma das principais ligações ferroviárias entre o Atlântico e o interior africano.
Durante décadas, constituiu uma das rotas mais importantes para o transporte de minérios provenientes da actual República Democrática do Congo e da Zâmbia.
Contudo, a guerra civil angolana provocou a degradação e interrupção de grande parte da linha ferroviária, obrigando posteriormente a um vasto processo de reconstrução e modernização.
Nos últimos anos, Angola iniciou uma nova fase de valorização desta infra-estrutura, procurando transformá-la num verdadeiro corredor económico regional e não apenas numa linha ferroviária.
A actual concessão à Lobito Atlantic Railway representa precisamente essa mudança de paradigma, envolvendo operadores internacionais especializados na gestão ferroviária e logística.
Fecho financeiro concretiza acordos assinados em Washington
De acordo com o Ministério dos Transportes, o fecho financeiro agora alcançado materializa os acordos celebrados em Washington, em Dezembro de 2025, representando mais um passo na concretização da visão estratégica do Executivo angolano para o desenvolvimento do Corredor do Lobito.
Segundo o comunicado, este desenvolvimento consolida Angola como uma plataforma logística e comercial de referência para a integração económica africana e para o acesso dos mercados regionais às cadeias globais de comércio.
O Ministério sublinha igualmente que esta operação reforça a confiança das instituições financeiras internacionais e dos parceiros estratégicos no potencial transformador das infra-estruturas angolanas e na capacidade do país para concretizar projectos estruturantes de impacto regional e continental.
Capacidade poderá aumentar dez vezes
Entre os impactos previstos encontra-se um aumento significativo da capacidade operacional do corredor.
As intervenções planeadas deverão elevar a capacidade de transporte em cerca de dez vezes, atingindo aproximadamente 4,6 milhões de toneladas por ano.
O Governo estima igualmente uma redução próxima dos 30% nos custos logísticos associados ao transporte de mercadorias e matérias-primas estratégicas, factor considerado determinante para aumentar a competitividade económica da região.

Ministro destaca confiança internacional em Angola
No comunicado, o ministro dos Transportes, Ricardo Viegas D'Abreu, afirma que o encerramento financeiro representa muito mais do que uma operação económica.
"O fecho financeiro deste projecto confirma a solidez da visão estratégica do Executivo para o Corredor do Lobito e a confiança dos parceiros internacionais no potencial transformador das infra-estruturas angolanas. Angola afirma-se, cada vez mais, como uma plataforma logística incontornável para a integração económica, a facilitação do comércio e o desenvolvimento sustentável da região" - Ricardo Viegas D'Abreu, ministro dos Transportes.
O governante acrescenta ainda que:
"O Corredor do Lobito constitui hoje um activo estratégico nacional e continental, capaz de aproximar economias, gerar oportunidades de investimento, promover a industrialização e reforçar o posicionamento de Angola como porta atlântica privilegiada para os mercados da África Central e Austral" - Ricardo Viegas D'Abreu, ministro dos Transportes.
Um projecto com impacto para vários sectores económicos
O Ministério considera o Corredor do Lobito uma das mais relevantes infra-estruturas transfronteiriças actualmente em desenvolvimento no continente africano.
Segundo o comunicado, o projecto permitirá reforçar a conectividade regional, potenciar as cadeias de valor ligadas aos sectores mineiro, agrícola e industrial, além de contribuir para a criação de emprego, para a transferência de conhecimento e para a dinamização das economias locais.
Ao mesmo tempo, o corredor assume uma importância estratégica crescente no contexto da integração regional africana, ao articular Angola com a República Democrática do Congo e com a futura ligação ferroviária à Zâmbia.
Na perspectiva do Executivo, este eixo logístico facilitará o comércio intra-africano e reforçará o acesso dos produtores e exportadores da região aos mercados internacionais.
Compromisso com a modernização dos transportes
No final do comunicado, o Ministério dos Transportes reafirma o compromisso do Governo angolano com a modernização contínua do sector dos transportes e com a implementação de projectos estruturantes destinados a reforçar a competitividade, a atractividade económica e a integração regional de Angola.
O que representa o Corredor do Lobito
Para além da dimensão ferroviária, o Corredor do Lobito é hoje encarado como um projecto geoestratégico com impacto económico, político e logístico à escala continental.
A sua concretização poderá alterar significativamente as cadeias de abastecimento da África Austral e Central, reduzindo custos de transporte, encurtando tempos de exportação e aumentando a competitividade dos produtos africanos nos mercados internacionais.
Num contexto de crescente procura mundial por minerais estratégicos como o cobre e o cobalto, essenciais para a transição energética e para a indústria tecnológica, o corredor assume igualmente uma relevância acrescida para as cadeias globais de fornecimento.
Com o fecho financeiro agora anunciado, Angola consolida um dos maiores investimentos internacionais na área das infra-estruturas logísticas do continente, reforçando a ambição de transformar o Porto do Lobito e a sua ligação ferroviária num dos principais corredores comerciais entre o Atlântico e o interior de África.

