A Federação Nacional dos Professores (FENPROF) associou publicamente as falhas verificadas no processo dos exames nacionais a um conjunto de opções políticas que, segundo a organização, fragilizaram a Administração Educativa, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.
Em conferência de imprensa, a estrutura sindical anunciou o lançamento de um abaixo-assinado de protesto, citando graves deficiências no processo de classificação e consequências negativas para os docentes.
Segundo a federação, os problemas registados são a consequência direta do "desmantelamento" de estruturas e serviços do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI), um processo iniciado no verão passado sob o argumento de modernização e simplificação.
A FENPROF defende que a substituição de serviços por institutos públicos, a redução de recursos humanos especializados e a aposta numa transformação digital sem o devido planeamento comprometeram a estabilidade do sistema educativo.
O documento emitido pela estrutura sindical refere que o enfraquecimento da administração central tem impactos diretos nos alunos e nas famílias, prejudicando o rigor e a transparência da avaliação.
A federação ressalva que as escolas e os professores cumpriram as suas funções com profissionalismo, procurando minimizar prejuízos, e sustenta que a responsabilidade pelo atual cenário deve ser assumida inteiramente pelo Governo e pela tutela.
A FENPROF dirigiu críticas específicas à postura do ministro da Educação, Fernando Alexandre, classificando-a como "errática" e acusando o governante de tentar transferir responsabilidades para os estabelecimentos de ensino e para os encarregados de educação.
Perante o que define como um falhanço político, a federação exige uma avaliação rigorosa da reforma administrativa em curso e a reversão das medidas que conduziram à perda de capacidade técnica do Ministério.