O Grupo Parlamentar do PCP endereçou um pedido de esclarecimento ao Ministério do Ambiente e Energia sobre as descargas poluentes recorrentes no Rio Cobral, atribuídas a unidades industriais de laticínios da Catraia de São Romão e Carragosela, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.
A iniciativa surge após denúncias de que o curso de água se transformou num esgoto a céu aberto, situação que, segundo as populações locais, persiste há cerca de três décadas. O documento entregue na Assembleia da República descreve um cenário de consequências ambientais e de saúde pública graves.
Entre os impactos listados figuram o envenenamento de lençóis freáticos, que forçou a selagem de um poço de abastecimento público em Meruge, o desaparecimento da fauna e flora no leito do rio e a proliferação de mosquitos em lodos putrefatos.
Os residentes reportam ainda a emanação de cheiros nauseabundos que obrigam à utilização de máscaras e prejudicam a atividade turística na região.
Apesar das sucessivas queixas apresentadas pela Junta de Freguesia de Meruge e por particulares junto da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), do IGAMAOTE e do SEPNA, as intervenções realizadas até à data não produziram resultados práticos na cessação da poluição.
O problema afeta diversas localidades, nomeadamente Catraia de S. Romão, Torroselo, Várzea de Meruge, Meruge, Lageosa/Cobral, Lagares da Beira e Travanca de Lagos.
Ao abrigo das competências constitucionais e regimentais, os deputados questionam agora o Governo sobre as medidas imediatas e os meios disponibilizados para interromper as descargas poluidoras e garantir a recuperação ambiental do Rio Cobral.
O requerimento sublinha o contraste entre os indicadores oficiais de proteção ambiental e a persistência desta situação no território.