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Liga Portugal junta-se à oposição europeia ao modelo de investimento externo proposto para a FIFA

Redação Central Press/
01/08/2026, 10h28
/
3 min
Reinaldo Teixeira @Liga Portugal
Reinaldo Teixeira @Liga Portugal

A Liga Portugal manifestou a sua oposição ao modelo de investimento de capital externo na FIFA anunciado recentemente pelo presidente do organismo, Gianni Infantino, alinhando a sua posição com a da European Leagues, associação que representa as ligas profissionais europeias.

Em comunicado, a Liga Portugal afirma discordar da possibilidade de entrada de investidores privados na estrutura comercial da FIFA, considerando que a crescente pressão económica não deve sobrepor-se aos princípios que sustentam o futebol, nomeadamente a integridade das competições e a proteção dos calendários domésticos.

"O equilíbrio entre os naturais potenciadores de receitas e os preceitos desportivos" deve ser preservado, refere a Liga Portugal, acrescentando que a sua posição acompanha os princípios defendidos publicamente por diversas organizações congéneres a nível internacional.

Proposta da FIFA gera contestação

A posição da Liga Portugal surge na sequência da proposta apresentada por Gianni Infantino para criar uma nova entidade destinada a concentrar os activos comerciais e a organização das competições da FIFA, admitindo a entrada de capital privado na estrutura. O projecto desencadeou uma forte reação de organizações ligadas ao futebol profissional, que manifestaram preocupação com o impacto que uma alteração desta natureza poderá ter na governação da modalidade e no equilíbrio entre as competições internacionais e os campeonatos nacionais.

European Leagues rejeita proposta

A European Leagues, organização da qual a Liga Portugal é membro, rejeitou formalmente a iniciativa, defendendo que o Campeonato do Mundo "não está à venda" e que o valor das competições é construído diariamente por ligas, clubes, jogadores e adeptos. A associação considera ainda que qualquer alteração estrutural deve resultar de processos transparentes e de consulta efectiva com todas as partes interessadas.

UEFA e federações nacionais adoptam posição comum

Também a UEFA e as suas 55 federações nacionais divulgaram uma posição conjunta de rejeição da proposta, sustentando que o Campeonato do Mundo constitui um património desportivo global que não deve ser objecto de investimento privado. No comunicado, as federações europeias afirmam que decisões desta dimensão devem ser tomadas através de processos transparentes e participados, considerando que a comercialização parcial das competições da FIFA colocaria em causa os princípios de governação do futebol.

Entre as federações que subscrevem esta posição encontram-se, entre outras, a Federação Portuguesa de Futebol, a Real Federação Espanhola de Futebol, a Federação Francesa de Futebol, a Federação Alemã de Futebol, a Federação Italiana de Futebol e as restantes associações nacionais filiadas na UEFA, através da declaração conjunta aprovada pela confederação europeia.

Defesa das competições nacionais

No comunicado divulgado esta sexta-feira, a Liga Portugal coloca a tónica na necessidade de proteger as competições nacionais, defendendo que a sustentabilidade financeira do futebol deve coexistir com a preservação da integridade desportiva e dos calendários internos.

A posição do organismo liderado por Portugal reforça o movimento de contestação que se tem verificado entre as principais entidades representativas do futebol europeu, num debate que centra a atenção no modelo de governação da FIFA e no futuro das suas competições internacionais.

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