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Investigação de Marlene Lopes revela que as grávidas devidamente capacitadas preferem mobilidade durante o trabalho de parto

Redação Central Press/
04/08/2026, 11h05
/
4 min
Marlene Lopes @DR
Marlene Lopes @DR

Um trabalho de investigação de Marlene Lopes, professora da Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra (ESEUC), feito ao longo dos últimos quatro anos e que envolveu, numa fase inicial, mais de duas centenas de grávidas, revela que, sempre que devidamente informadas e capacitadas, estas optam por maior mobilidade durante o trabalho de parto, incluindo posições verticalizadas (por exemplo, caminhar, permanecer de pé, sentar-se, ajoelhar-se, ou colocar-se de cócoras), em vez de permanecerem imobilizadas ou limitadas a uma posição, de acordo com o comunicado enviado à Central Press.

Este é o resultado de uma avaliação final, no pós-parto, já com um grupo mais pequeno (somente 30, com gravidez de baixo risco e sem filhos até então) que participaram, em quatro unidades de cuidados na comunidade (UCC) do centro do país – Ílhavo, Mealhada, Marinha Grande e Porto de Mós –, numa intervenção em Enfermagem concebida para as habilitar para a tomada de decisão em matéria de mobilidade durante o processo de dilatação do trabalho de parto.

Noventa por cento desta amostra (27 mulheres) "referiram ter-se mobilizado durante o trabalho de parto", observa a docente Marlene Lopes, ao explicar que "a intervenção procurou capacitá-las para compreenderem o valor da mobilidade e das posições verticalizadas, identificarem as suas preferências e decidirem e agirem de acordo com elas durante o seu trabalho de parto".

No entanto, de acordo com os resultados desta avaliação, "52% indicaram que a sua mobilidade diminuiu depois da entrada na sala de partos, evidenciando que a concretização das preferências não depende apenas da preparação da mulher, mas também das condições clínicas, das práticas profissionais e da flexibilidade do contexto hospitalar".

Segundo Marlene Lopes, numa avaliação qualitativa através de entrevistas a oito mulheres, "seis conseguiram manter-se em movimento, de acordo com o que desejavam, e assumir um papel ativo nas decisões", o que se manifestou, por exemplo, "na decisão sobre o momento da transferência para a sala de partos, na negociação do tipo de analgesia e na escolha dos movimentos e posições, incluindo durante o período expulsivo". Já "duas mulheres não conseguiram concretizar plenamente o que tinham desejado, sobretudo devido à intensidade da dor que sentiram e às limitações associadas ao tipo de analgesia utilizado".

A professora da ESEUC nota que "a mulher pode manifestar, nomeadamente através do plano de parto, as suas preferências relativamente à mobilidade e à posição em que deseja", que elas "devem ser discutidas com a equipa clínica e respeitadas sempre que a situação clínica da mulher e do bebé o permita". "Os profissionais devem prestar informação clara sobre as opções disponíveis, os respetivos benefícios e eventuais limitações clínicas, promovendo uma decisão informada. A legislação portuguesa reconhece o direito à informação, ao consentimento, à autodeterminação e à expressão de preferências através do plano de parto", afirmou Marlene Lopes. Todavia, na prática, "a possibilidade de concretizar essa preferência ainda pode variar de acordo com a cultura instituída, a organização do serviço, a experiência e a disponibilidade dos profissionais, o número de especialistas em ESMO presentes e as condições assistenciais existentes naquele momento", adverte a docente da ESEUC.

Como caminhos na evolução para cuidados mais individualizados e centrados na mulher, Marlene Lopes enumera o reconhecimento efetivo da "autonomia dos especialistas em ESMO na assistência à mulher com uma gravidez e um parto de baixo risco", bem como o reforço do número destes enfermeiros, "tanto nas UCC, para preparar e capacitar as mulheres durante a gravidez, como nas maternidades, para assegurar continuidade dos cuidados e apoiar, durante o trabalho de parto, as escolhas previamente refletidas".

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