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Riqueza das famílias portuguesas cresce 21%, impulsionada pela valorização das casas

Redação Central Press/
06/08/2026, 08h22
/
4 min
Imagem ilustrativa @freepik
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A riqueza das famílias portuguesas registou um crescimento significativo entre 2020 e 2024, impulsionado sobretudo pela valorização do mercado imobiliário.
Os dados constam da quinta edição do Inquérito à Situação Financeira das Famílias (ISFF), divulgada esta terça-feira, 5 de agosto, pelo Banco de Portugal, em parceria com o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Segundo o estudo, a riqueza líquida das famílias - que corresponde ao valor dos bens e património depois de descontadas as dívidas - aumentou cerca de 21% em termos reais face a 2020. Em média, cada agregado familiar passou a deter uma riqueza líquida de 278,3 mil euros, enquanto a mediana, indicador que representa melhor a situação da família "típica", atingiu 143,3 mil euros.

Valorização das casas explica grande parte do aumento

O Banco de Portugal identifica a forte subida dos preços da habitação como o principal fator para este crescimento da riqueza. A residência principal continua a ser o ativo mais importante das famílias portuguesas, representando cerca de 56% do total dos ativos reais.

Esta realidade ajuda também a explicar as diferenças entre os vários grupos da população. As famílias com menor riqueza são, em muitos casos, aquelas que não possuem casa própria, situação particularmente frequente entre os agregados cujo elemento de referência está desempregado ou tem menos de 35 anos.

Por outro lado, as famílias com maior património tendem a possuir outros imóveis, negócios próprios ou ambos, uma realidade mais comum entre trabalhadores por conta própria, pessoas com ensino superior e agregados com rendimentos mais elevados.

Poupanças continuam concentradas em depósitos

O inquérito mostra igualmente que a maioria das famílias continua a privilegiar aplicações financeiras de baixo risco. A riqueza financeira permanece fortemente concentrada em depósitos bancários, incluindo certificados de aforro e certificados do Tesouro.

Esta preferência reflete, segundo o Banco de Portugal, uma tradicional aversão ao risco por parte das famílias portuguesas, que continuam a privilegiar produtos considerados mais seguros em detrimento de investimentos com maior potencial de rentabilidade, mas também maior exposição às oscilações dos mercados.

Menos pressão do endividamento

O estudo revela ainda que 41,7% das famílias tinham algum tipo de dívida em 2024, o que significa que cerca de quatro em cada dez agregados familiares mantinham empréstimos, sobretudo associados à aquisição de habitação.

Entre as famílias endividadas, a dívida mediana situava-se nos 34,5 mil euros. Apesar de uma parte significativa da população continuar a recorrer ao crédito, o Banco de Portugal assinala que a proporção de famílias com níveis elevados de endividamento é atualmente inferior à registada em anteriores edições do inquérito, sugerindo uma situação financeira globalmente mais equilibrada.

Retrato da situação financeira das famílias

O Inquérito à Situação Financeira das Famílias foi realizado entre março e junho de 2024 e integra o projeto europeu Household Finance and Consumption Survey (HFCS), permitindo comparar a realidade portuguesa com a dos restantes países da área do euro.

Os resultados agora divulgados traçam um retrato de um país onde a valorização do património imobiliário reforçou a riqueza das famílias proprietárias, mas onde persistem diferenças significativas entre quem possui habitação própria e quem continua dependente do mercado de arrendamento ou não dispõe de património imobiliário. Ao mesmo tempo, o estudo confirma que as famílias portuguesas continuam a privilegiar a segurança nas suas poupanças e apresentam, em geral, níveis de endividamento menos elevados do que no passado.

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