A Pateira de Fermentelos vai beneficiar de um investimento de cerca de cinco milhões de euros para a remoção de 200 mil metros cúbicos de sedimentos, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.
O projeto visa atuar diretamente sobre uma das principais causas da proliferação dos jacintos-de-água e promover a recuperação ambiental daquela que é considerada uma das maiores lagoas naturais da Península Ibérica.
O anúncio foi efetuado pelo presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Pimenta Machado, durante uma visita do ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, ao concelho de Águeda.
Com financiamento garantido e o estudo de impacte ambiental em fase avançada, prevê-se que o concurso público para a empreitada seja lançado até ao final deste ano.
A intervenção insere-se no âmbito da "Ria Viva" — uma parceria que engloba o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a APA e os municípios integrados na Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro (CIRA).
O objetivo principal da remoção das terras acumuladas é diminuir a concentração de nutrientes, como o fósforo e o azoto, que chegam através da poluição urbana, agrícola e de águas residuais, alimentando o crescimento descontrolado da vegetação invasora.
O presidente da Câmara Municipal de Águeda, Jorge Almeida, salientou que a autarquia tem liderado ações de remoção física direta dos jacintos-de-água, mas frisou que a dimensão do problema exige esta intervenção estrutural de caráter preventivo promovida pela administração central.
À margem do projeto da Pateira, o presidente da APA adiantou que foi reforçada a monitorização da qualidade da água nas bacias hidrográficas fustigadas por incêndios recentes nos concelhos de Águeda e Vouzela.
As análises laboratoriais preliminares realizadas pela agência revelaram apenas um expectável aumento de turvação devido ao arrastamento de cinzas pelas chuvas, sem registo de parâmetros que causem preocupação para a saúde pública ou para as captações de água.