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Características psicológicas dos decisores influenciam políticas de liquidez nas PMEs

Redação Central Press/
01/09/2026, 20h01
/
3 min
Universidade de Coimbra @Paulo Amaral
Universidade de Coimbra @Paulo Amaral

Uma equipa de investigação da Universidade de Coimbra (UC) está a analisar o impacto das características psicológicas dos responsáveis financeiros nas decisões de gestão de pequenas e médias empresas (PMEs) em Portugal, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.

O projeto de investigação, intitulado PSYCFIN – Decisões financeiras empresariais: uma abordagem psicológica, foca-se em aspetos como o mindfulness e o foco regulatório dos decisores para compreender a sua influência em áreas estratégicas como as políticas de liquidez e de endividamento.

Financiada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), a investigação baseou-se na análise de 449 questionários respondidos por diretores financeiros de PMEs nacionais.

Segundo Filipe Coelho, coordenador do projeto, docente da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC) e investigador do Centro de Investigação em Economia e Gestão (CeBER), a análise de dados tradicional foca-se frequentemente em perspetivas estritamente racionais e variáveis económicas. No entanto, este estudo procura medir diretamente de que forma aspetos psicológicos específicos alteram as decisões tomadas em contexto empresarial.

Os primeiros resultados apontam para uma relação direta entre o mindfulness, definido como a capacidade de manter a atenção deliberada e sem julgamento no momento presente, e uma maior retenção de liquidez pelas organizações.

O estudo propõe várias explicações para este comportamento:

  • Regulação emocional e cautela: Os gestores com níveis elevados de mindfulness apresentam, por norma, maior regulação emocional, menor impulsividade e menores níveis de excesso de confiança, o que favorece decisões financeiras mais ponderadas.
  • Consciência ética: A atenção plena está associada a uma maior preocupação com a proteção e preservação dos recursos materiais da organização.
  • Aversão ao risco: O mindfulness tende a reduzir a apetência pelo risco, o que impulsiona a adoção de políticas de tesouraria mais conservadoras com maiores disponibilidades líquidas.

O estudo revela ainda que este efeito de conservadorismo financeiro é potenciado em empresas mais antigas, nas quais a cultura organizacional está habitualmente mais orientada para a estabilidade de médio e longo prazo, facilitando a adoção de decisões cautelosas.

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