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Impasse bilateral paralisa projeto da ligação rodoviária transfronteiriça entre Beira Baixa e Extremadura

Redação Central Press/
03/09/2026, 16h04
/
3 min
Manifestação em Idanha-a-Nova @DR
Manifestação em Idanha-a-Nova @DR

A reunião realizada na última quarta-feira, 2 de setembro, em Lisboa, entre o conselheiro de Infraestruturas da Junta da Extremadura, Francisco Ramírez, e o ministro das Infraestruturas de Portugal, Miguel Pinto, terminou sem que fossem estabelecidos compromissos concretos ou calendários vinculativos para a ligação rodoviária transfronteiriça entre o IC31 e a EX-A1, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.

O desfecho inconclusivo do encontro motivou uma reação de contestação por parte da Aliança Territorial Europeia (ATE) Norte da Extremadura e Beira Baixa e da Aliança Ibérica, que manifestaram profundo desagrado face à ausência de uma folha de rota clara para a próxima Cimeira Hispano-Portuguesa.

As organizações rejeitam a decisão de suspender o início das obras da denominada "Autoestrada da Esperança", medida que foi anunciada pelo conselheiro Francisco Ramírez sob o pretexto do impasse diplomático em torno da futura Ponte Internacional sobre o rio Erges.

De acordo com os representantes destas entidades territoriais, a paragem do projeto prejudica gravemente a mobilidade das populações, o emprego, o turismo ibérico e as ações de combate ao despovoamento dos territórios do interior.

Atualmente, cerca de 88% da ligação entre Madrid e Lisboa por este trajeto já é constituída por autoestrada sem portagens, estimando-se que a conclusão dos restantes 12% reduza significativamente os custos do transporte de mercadorias e impulsione a competitividade de parques industriais como os de Castelo Branco e Plasencia.

Para superar o atual bloqueio, a Aliança Ibérica e a ATE dirigiram um apelo à presidente da Junta da Extremadura, María Guardiola, e ao primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, instando-os a assumir a liderança política e a garantir dotações nos respetivos orçamentos de Estado para 2027 que viabilizem o arranque físico dos dois primeiros troços da via, localizados entre Moraleja e Cilleros, do lado espanhol, e entre Alcains e Proença-a-Velha, do lado português.

Adicionalmente, as estruturas exigem celeridade aos ministros espanhóis dos Negócios Estrangeiros, José Manuel Albares, e dos Transportes, Óscar Puente, na tramitação do acordo internacional para a ponte sobre o rio Erges, defendendo uma reunião urgente nas próximas semanas para assegurar a conclusão da infraestrutura até ao final de 2029.

No plano financeiro, as entidades rejeitam a hipótese de introdução de portagens no troço português e defendem o recurso a fundos próprios e crédito para viabilizar as obras em território espanhol.

A Comissão Permanente da ATE agendou uma reunião para o dia 16 de setembro, no distrito de Castelo Branco, com o objetivo de coordenar novas ações de pressão política.

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