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Especialistas alertam para atraso na resposta à expansão da erva-das-pampas

Redação Central Press/
07/09/2026, 17h23
/
3 min
Erva-das-pampas @ESAC
Erva-das-pampas @ESAC

A espécie exótica invasora Cortaderia selloana, vulgarmente conhecida como erva-das-pampas ou cortadéria, já se encontra presente em pelo menos 208 municípios de Portugal continental, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.

Especialistas ligados à Escola Superior Agrária da Universidade Politécnica de Coimbra e ao projeto europeu LIFE COOP Cortaderia alertam que a falta de intervenção à escala necessária está a permitir o avanço rápido desta gramínea originária da América do Sul, que ocupa atualmente margens de estradas, terrenos abandonados, áreas ribeirinhas e zonas costeiras.

Segundo os investigadores, o atraso na tomada de medidas de controlo torna o problema progressivamente mais caro e difícil de travar, inviabilizando a erradicação técnica a partir do momento em que se estabelecem grandes aglomerados de plantas no território.

Do ponto de vista regulatório, o Decreto-Lei n.º 92/2019 classifica a cortadéria na Lista Nacional de Espécies Invasoras, proibindo expressamente a sua detenção, cultivo, comércio, transporte e utilização ornamental, além de determinar a aplicação de medidas de prevenção e gestão rápida.

O diploma prevê sistemas de vigilância, comunicação obrigatória de novas ocorrências e a elaboração de planos de ação específicos para o controlo ou erradicação destas espécies.

No entanto, embora o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) tenha o respetivo Plano de Ação para o controlo da cortadéria praticamente concluído, a sua publicação e implementação prática ainda não ocorreram.

Os impactos da disseminação desta planta estendem-se além da degradação dos habitats naturais e da competição direta com a vegetação autóctone.

Uma investigação publicada em 2024 salienta os elevados custos de remoção associados ao extenso sistema radicular da espécie e à sua capacidade de regeneração rápida após sofrer danos físicos.

Adicionalmente, estudos científicos e clínicos revelam que a floração tardia da cortadéria liberta pólenes fortemente alergénicos durante o outono, prolongando o período de exposição para pessoas sensíveis e gerando preocupações acrescidas para a saúde pública e ambiental.

Para conter a progressão desta espécie, que se dispersa facilmente devido à capacidade de uma única planta feminina produzir dezenas de milhares de sementes transportadas pelo vento, os especialistas propõem uma mudança de paradigma focada na eliminação precoce de novos focos.

Embora os cidadãos possam colaborar através do registo de ocorrências na aplicação iNaturalist, no âmbito do projeto invasoras.pt, os investigadores sublinham que a resolução do problema exige uma resposta coordenada e contínua entre a administração central, municípios, empresas e proprietários de terrenos.

Atualmente, o projeto LIFE COOP Cortaderia tenta reforçar a governação e a cooperação transfronteiriça no Arco Atlântico, abrangendo Portugal, Espanha e França, de forma a proteger corredores fluviais e zonas integradas na Rede Natura 2000.

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