O Município das Caldas da Rainha associa-se às Jornadas Europeias do Património 2026 com a iniciativa “Continuar a fazer — Artesanato, transmissão e transformação”, que se realiza no dia 24 de setembro, no Espaço Turismo Caldas da Rainha, no topo da Praça da Fruta, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.
Alinhada com o tema nacional das Jornadas nesta edição de 2026, “Reviver, resistir, reinventar”, o programa que assinala esta iniciativa nas Caldas da Rainha reúne três saberes fortemente ligados à identidade do território (cerâmica, Bordados das Caldas e cutelaria) e "propõe um olhar sobre a forma como os ofícios se preservam através da prática, da transmissão entre gerações e da capacidade de se transformarem".
Para além de demonstrações ao vivo de cerâmica, de Bordados das Caldas e de cutelaria, no final da tarde de dia 24 haverá ainda espaço para uma conversa, centrada na relevância do saber-fazer.
Entre as 16h00 e as 18h00, o público poderá acompanhar demonstrações ao vivo, em contacto direto com os materiais, os gestos e as técnicas de cada ofício. Na cerâmica, Balona e Ana Novais apresentam a técnica da verguinha, característica da tradição caldense, mostrando tramas e processos de modelação, decoração e pintura, e também a sua aplicação na criação contemporânea.
Os Bordados das Caldas, representados pela respetiva Associação, dão a conhecer motivos, materiais e técnicas, e a forma como este conhecimento continua a ser transmitido pela prática das bordadeiras. A cutelaria, através da Associação Empresarial da Região Oeste com o Cluster de Cutelaria de Santa Catarina e Benedita (Carlos Norte, do "Lombo do Ferreiro", e Paulo Tuna, "The Bladesmith"), permite observar as ferramentas e os processos de um ofício com longa implantação no território, onde tradição artesanal e produção contemporânea coexistem.
Às 18h30 tem início a conversa “Continuar a fazer — Artesanato, transmissão e transformação”, com Rita Jerónimo, da Unidade de Cultura da CCDR LVT, conduzida por Celeste Afonso, à qual se juntam os artesãos e criadores participantes. A sessão parte de uma questão central: o que é preciso para que um saber-fazer continue vivo? Em formato informal e dialogado, serão abordados os processos de aprendizagem e transmissão dos ofícios, as condições necessárias à sua continuidade e a capacidade de integrar novas linguagens, usos e contextos sem perder os elementos que lhes conferem identidade.
Antropóloga e especialista em património cultural imaterial, Rita Jerónimo foi subdiretora-geral da Direção-Geral do Património Cultural e coordenou, entre 2024 e 2025, a equipa do Programa Nacional Saber Fazer Portugal. É atualmente chefe de Divisão de Investigação e Dinamização Cultural da Unidade de Cultura da CCDR Lisboa e Vale do Tejo.
Promovida pelo Município no âmbito das Jornadas Europeias do Património, a iniciativa é de participação livre e pretende valorizar os praticantes e os processos de transmissão dos saberes, reforçando a ideia de que preservar um património vivo é criar condições para que continue a ser praticado, transmitido e reinventado.
