Quase três semanas após o início do ano letivo, mantêm-se por preencher 664 horários nas escolas públicas portuguesas, dos quais 238 pertencem ao 1.º ciclo do ensino básico e três em cada quatro horários completos por atribuir se concentram na região de Lisboa, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.
Durante a apresentação do relatório Education at a Glance 2026 da OCDE, o Ministro da Educação, Fernando Alexandre, reconheceu a existência de alunos sem aulas desde o início do ano letivo, mas sustentou que a hipótese de 400 horários vagos estarem distribuídos de forma homogénea pelo país seria "totalmente irrelevante" e "não é um problema para ninguém".
Em reação às declarações, a FENPROF criticou a relativização dos números por parte da tutela, assinalando que, no 1.º ciclo, a ausência de docente pode deixar perto de seis mil crianças sem o acompanhamento quotidiano das aprendizagens.
O Ministério da Educação apontou a "ineficiência do sistema" de colocação como a principal causa para a existência simultânea de horários por preencher e de profissionais qualificados disponíveis.
Como resposta a esse diagnóstico, o Governo anunciou o desenvolvimento de uma aplicação móvel para facilitar a consulta das necessidades das escolas e acelerar as candidaturas por área geográfica.
Em contrapartida, a estrutura sindical advertiu para o impacto do recurso a horas extraordinárias e do aumento do número de alunos por turma, num cenário de envelhecimento do corpo docente em que se registam cerca de quatro mil aposentações anuais.
A FENPROF defendeu que a permanente dificuldade de contratação nas mesmas regiões evidencia a falta de atratividade da profissão, considerando que a criação de uma ferramenta digital não resolve os custos de habitação, o valor das deslocações nem a valorização dos vencimentos.
Segundo os dados da OCDE divulgados no mesmo evento, apenas 13,4% dos professores em Portugal se declaram satisfeitos com o seu nível salarial.
