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FENPROF acusa Governo de relativizar falta de professores e ignorar crise na escola pública

Redação Central Press/
30/09/2026, 14h18
/
2 min
FENPROF frente à Assembleia da República @FENPROF
FENPROF frente à Assembleia da República @FENPROF

Quase três semanas após o início do ano letivo, mantêm-se por preencher 664 horários nas escolas públicas portuguesas, dos quais 238 pertencem ao 1.º ciclo do ensino básico e três em cada quatro horários completos por atribuir se concentram na região de Lisboa, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.

Durante a apresentação do relatório Education at a Glance 2026 da OCDE, o Ministro da Educação, Fernando Alexandre, reconheceu a existência de alunos sem aulas desde o início do ano letivo, mas sustentou que a hipótese de 400 horários vagos estarem distribuídos de forma homogénea pelo país seria "totalmente irrelevante" e "não é um problema para ninguém".

Em reação às declarações, a FENPROF criticou a relativização dos números por parte da tutela, assinalando que, no 1.º ciclo, a ausência de docente pode deixar perto de seis mil crianças sem o acompanhamento quotidiano das aprendizagens.

O Ministério da Educação apontou a "ineficiência do sistema" de colocação como a principal causa para a existência simultânea de horários por preencher e de profissionais qualificados disponíveis.

Como resposta a esse diagnóstico, o Governo anunciou o desenvolvimento de uma aplicação móvel para facilitar a consulta das necessidades das escolas e acelerar as candidaturas por área geográfica.

Em contrapartida, a estrutura sindical advertiu para o impacto do recurso a horas extraordinárias e do aumento do número de alunos por turma, num cenário de envelhecimento do corpo docente em que se registam cerca de quatro mil aposentações anuais.

A FENPROF defendeu que a permanente dificuldade de contratação nas mesmas regiões evidencia a falta de atratividade da profissão, considerando que a criação de uma ferramenta digital não resolve os custos de habitação, o valor das deslocações nem a valorização dos vencimentos.

Segundo os dados da OCDE divulgados no mesmo evento, apenas 13,4% dos professores em Portugal se declaram satisfeitos com o seu nível salarial.

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