Um quarto dos adolescentes (25,8%) que, no último ano letivo, participaram no programa de promoção da saúde mental e prevenção de comportamentos suicidários em meio escolar, Mais Contigo, apresentaram, no início da intervenção, sintomatologia depressiva moderada ou grave. Se somarmos aqueles que evidenciaram sinais de depressão considerados ligeiros (14,5%), o número de jovens com sintomas como tristeza permanente, baixa autoestima, perda de interesse ou prazer, e até mesmo pensamentos negativos, sobe para 40,3%.
Estes são alguns resultados da intervenção feita, em 2025-2026, por profissionais de saúde e agentes educativos um pouco por todo o país e que, hoje, foram divulgados na Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra (ESEUC), instituição copromotora do programa de implantação nacional, que tem a Direção-Geral da Saúde (DGS) como entidade parceira.
No último ano letivo, o Mais Contigo abrangeu o maior número de adolescentes desde o início do programa, em 2028: foram 1.8651 alunos (com 1.7952 questionários validados) do 7º ao 12º ano de escolaridade, embora maioritariamente do 8º ano (57%). Segundo os dados apresentados pela equipa coordenadora nacional do Mais Contigo, 2.179 adolescentes encontravam-se em maior risco de adotar um comportamento suicidário, sendo 65,9% raparigas. De acordo com o coordenador do programa, José Carlos Santos, à semelhança dos resultados obtidos em anos anteriores, a sintomatologia depressiva moderada ou grave surge, "mais uma vez, com maiores repercussões nas jovens, quando comparadas com os rapazes".
No ano letivo de 2025-2026, os dinamizadores do programa estiveram em todas as regiões de Portugal, em todas as áreas pertencentes às antigas administrações regionais de Saúde e na Região Autónoma da Madeira.
Para José Carlos Santos, a recente legislação sobre a organização dos serviços de saúde mental (Decreto- Lei 113/2021, de 14 de dezembro), com mais proximidade e recursos comunitários, é motivo para ter esperança. Porém, segundo enumerou, mantêm-se alguns desafios, como "a conquista de um lugar para a saúde mental, transversal, sem perder a sua especificidade, na formação dos nossos adolescentes, um reforço no financiamento adequando o mesmo à carga epidemiológica" e "o diálogo entre instituições".
Financiado desde 2013 pela Direção-Geral da Saúde e, atualmente, pela Coordenação Nacional das Políticas de Saúde Mental, o Mais Contigo trabalha aspetos como o estigma em saúde mental, o autoconceito e a capacidade de resolução de problemas, devidamente enquadrados na fase da adolescência. Tendo como instituições proponentes a ESEUC e a Direção-Geral da Saúde (DGS) - Região Centro (então Administração Regional de Saúde do Centro), é um programa reconhecido como boa prática pela DGS e pelo ICN - Conselho Internacional de Enfermeiros.
