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Estudo da UC revela violência psicológica frequente em um terço dos profissionais de saúde

Redação Central Press/
07/10/2026, 12h42
/
3 min
Imagem ilustrativa @magnific
Imagem ilustrativa @magnific

Um estudo liderado pela Universidade de Coimbra revela que 32,8% dos profissionais de saúde em Portugal identificam a violência psicológica como frequente ou generalizada no seu local de trabalho, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.

A investigação, desenvolvida no âmbito do projeto europeu BRAVE-WOW, indica igualmente que 30,1% dos inquiridos assinalam a desvalorização sistemática das suas funções com frequência idêntica, seguindo-se o assédio moral (24%) e a violência verbal (23,2%), enquanto o assédio sexual (2,1%) e a violência física (1,7%) registam menor prevalência.

O inquérito contou com a participação de 1678 profissionais, levando a coordenadora do projeto e docente da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Leonor Pais, a alertar que mecanismos focados apenas em episódios isolados são insuficientes para lidar com comportamentos repetitivos.

O diagnóstico aponta para um nível elevado de ceticismo em relação às respostas institucionais, com 45,5% dos inquiridos a considerarem que as condutas inadequadas tendem a ser minimizadas ou desculpadas e 17,9% a encararem a violência e o assédio como uma parte normal do trabalho.

Apenas 16,1% dos participantes consideram eficaz a atuação da sua organização perante estes incidentes, 19% classificam o tratamento como justo e 15,9% reconhecem a existência de medidas preventivas visíveis e eficazes, enquanto 34,4% admitem recear consequências negativas em caso de denúncia.

Nos cenários em que os comportamentos ocorrem de forma frequente ou generalizada, os superiores hierárquicos surgem como o grupo de autores mais apontado (17,5%), seguidos pelos colegas do mesmo nível (12%), doentes (11,7%) e respetivos familiares (11,1%), ainda que a percentagem associada aos doentes suba para 61,1% quando consideradas todas as ocorrências.

A sobrecarga de trabalho e a sobrelotação dos serviços surgem associadas a estes episódios por 34,3% dos profissionais.

O estudo detetou ainda falta de conhecimento sobre os recursos de proteção existentes nas organizações, com 20,9% dos inquiridos a ignorarem a presença de apoio jurídico e 19,1% a desconhecerem a existência de pessoal designado para gerir incidentes.

O projeto BRAVE-WOW junta 19 organizações de Portugal, Itália, Espanha e Eslovénia e é financiado pelo programa Citizens, Equality, Rights and Values da Comissão Europeia.

Além de grupos focais e do teste de medidas locais de prevenção, a iniciativa prevê o lançamento de um inquérito em escala europeia para abranger os 27 Estados-membros da União Europeia e apoiar recomendações de alteração legislativa e institucional.

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