A Galeria Municipal recebe, de 10 a 22 de outubro, a exposição de cerâmica "Morfologia do inútil" de Célia Macedo, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.
A exposição "Morfologia do Inútil" marca um ponto de inflexão na práxis de Célia Macedo, assinalando a transição deliberada de uma gramática utilitária para uma investigação puramente ontológica da cerâmica. Nesta nova série, a artista não abandona a tradição; pelo contrário, utiliza o rigor da roda de oleiro como o alicerce técnico a partir do qual se permite a transgressão.
As peças aqui apresentadas operam como corpos em estado de parto. As paredes de grés, outrora destinadas a conter e servir, são agora rasgadas por excrescências e ramificações que brotam do seu interior. Estas formas que emergem, desafiando a simetria e a função, representam a libertação da matéria-prima: o corpo cerâmico deixa de ser um contentor do quotidiano para se tornar um receptáculo de conceitos.
Neste trabalho, o vidro não é apenas um acabamento, mas uma camada de manipulação que acentua a natureza orgânica e visceral desta metamorfose. Célia Macedo propõe um diálogo onde o "inútil" é reivindicado como a forma mais elevada de existência do objeto - aquela que não procura servir o utilitário, mas sim provocar o imaginário.
Ao romper com as normas da tipologia funcional, a artista estabelece um novo posicionamento: a materialidade é aqui expandida, demonstrando que o domínio da técnica não tem de ser um destino, mas sim o veículo para uma viagem profunda ao território da escultura contemporânea.
A inauguração da exposição terá lugar no dia 9 de outubro, às 19h00, na Galeria Municipal.
Com entrada livre, a exposição poderá ser visitada até 22 de outubro de terça a sexta-feira, das 14h00 às 19h00; sábados, das 11h00 às 13h00 e das 14h00 às 19h00 e domingos e feriados, das 14h00 às 19h00.
