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Reabilitação da Casa das Talhas devolve habitação e património à Baixa de Coimbra

Redação Central Press/
09/10/2026, 16h55
/
3 min
Casa das Talhas recebe novos moradores @CM Coimbra
Casa das Talhas recebe novos moradores @CM Coimbra

A Câmara Municipal de Coimbra celebrou este sábado, 9 de outubro, os contratos de arrendamento acessível para três das quatro habitações criadas no edifício histórico da Casa das Talhas, situado na Rua Fernandes Tomás, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.

A sessão pública, presidida pela presidente do executivo municipal, Ana Abrunhosa, marcou a entrada dos novos moradores nos pisos superiores do imóvel da Baixa conimbricense, na sequência de uma intervenção de reabilitação que articulou a preservação patrimonial com a oferta habitacional no centro urbano.

A empreitada permitiu a criação de quatro apartamentos duplex — três de tipologia T3 e um de tipologia T2 —, três dos quais passam a integrar o regime de arrendamento acessível.

Na cerimónia, Ana Abrunhosa destacou que a salvaguarda de imóveis históricos passa por assegurar a sua utilização efetiva pelas pessoas, enquadrando a obra no cumprimento de três metas: a recuperação do património, a criação de habitação e a devolução do espaço à vivência da cidade.

A autarca assinalou ainda o caráter continuado do projeto, reconhecendo o trabalho desenvolvido por anteriores executivos municipais, equipas técnicas e projetistas.

Implantada parcialmente sobre a muralha medieval e integrante do núcleo urbano antigo de Coimbra, a Casa das Talhas localiza-se na área de proteção de bens patrimoniais classificados, designadamente o conjunto da Universidade de Coimbra – Alta e Sofia, inscrito na lista de Património Mundial da UNESCO.

O edifício atual apresenta uma cronologia associada ao século XVII, integrando contudo testemunhos de diferentes períodos históricos, tais como um reservatório de água de origem romana, uma torre de provável matriz pré-islâmica, troços da Cerca Medieval e vestígios de ocupação manuelina.

A reabilitação do imóvel assentou em estudos histórico-artísticos e sondagens arqueológicas prévias, adotando soluções construtivas tradicionais — como a utilização de estrutura e soalhos de madeira e de mosaico hidráulico — em combinação com sistemas contemporâneos de isolamento térmico e acústico.

Além do programa habitacional nos pisos superiores, o edifício acolherá um estabelecimento de restauração no piso térreo e um espaço museológico na cave e subcave, projetado para permitir a leitura e visita aos elementos arqueológicos preservados.

A empreitada principal de reconstrução decorreu entre 2022 e 2025 com um valor de cerca de 1,76 milhões de euros, elevando-se o investimento global estimado — incluindo projetos, fiscalização, arqueologia e restauro — a cerca de 2,11 milhões de euros.

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